Lobices

…meiguices de lobos e não só…

PELA MANHÃ

sever020aa“… chegas pela manhã … logo a seguir ao último luar … e trazes margaridas no teu sorriso … vens com os olhos brilhando pétalas … e as mãos erguidas em ovação … trazes a paz no teu andar … no compasso terno do teu coração … chegas pela manhã … logo a seguir ao teu último sonho … resplandecente de ondas do mar … trazes o sorrir de um beija-flor … trazes alegria, trazes amor … vens com os lábios abertos ao mel … e os braços abertos ao abraço … cantas, deliras de espanto … e esqueces o teu cansaço … és serenidade doce do meu encanto … és luxúria do meu segredo … és encanto que me tira o medo … és flor que me cobre como um manto … chegas pela manhã … logo a seguir ao último luar … chegas pela manhã … sem lágrimas, sem pranto … chegas pela manhã … num gesto doce … do teu terno e suave amar…”

28/03/2016 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Belo, era esse pedaço de ternura no teu rosto

Tinha eu treze anos quando ele acamou com uma dessas doenças que não perdoam, mas que ele aceitou, consciente da sua pequenez neste mundo, consciente que aquela era a vontade de alguém mais forte que toda a força desta vida, para aquém e para além desta que temos.
Durante dois anos houve momentos de dor e houve momentos de paz; nesses momentos mais felizes de paz, lá ia eu de mão dada com ele passear um pouco para aliviar a carga psicológica que ele sabia carregar e aguentar firme como uma rocha; pequeno de estatura, e magro para além da magreza da própria doença, ele dava aqueles passos com a firmeza de um homem que nada tinha a temer e tudo tinha a enfrentar; ele dava aqueles passos com a firmeza de um homem que não tem medo de nada, nem daquilo que ele já sabia ter de enfrentar um dia.
Os seus passos pequenos, mas firmes, faziam compasso com os meus, ainda pequenos também pela idade ainda de criança, mas sentia-me como que o guardião daquele homem que naqueles momentos estava à minha responsabilidade e isso dava-me uma grande felicidade por estar a seu lado; também eu tinha consciência da doença que o minava pouco a pouco, também eu tinha forças para enfrentar aquela estranha harmonia de paz que nos rodeava aos dois; uma paz diferente, um bem estar compartilhado e interligado pelas duas mãos que se davam uma na outra, como dois cúmplices conscientes do “crime” que estavam a cometer a bem da harmonia e da paz de espírito, pois era carinho o que nos rodeava e envolvia.
Mas o dia da partida (ou da chegada como ele dizia às vezes por brincadeira) estava próximo. E quando esse dia surgiu ele teve consciência desse facto e soube-o enfrentar com uma dignidade que ainda hoje respeito e sempre respeitarei.
Deitado na sua cama e eu sentado a seus pés ele me olhou: os seus lábios já muito finos, mas firmes, disseram: “Vai chamar a tua Avó”. Corri pelo corredor e fui chamar a minha Avó que, como sempre (toda a sua vida), estava agarrada aos tachos no fogão de lenha; na cozinha pairava um cheirinho a sopa quente (Meu Deus, que saudades !).
“Bó.. o vô chamou-a.”
Ela largou o fogão, limpou as mãos ao seu avental e dirigiu-se para o quarto onde ele estava; segui-a logo.
Ela entrou no quarto e eu fiquei à porta vendo.
Naquele momento, todo ele se transformou: na sua frente estava a sua Maria de todo o sempre, a Maria que sempre o acompanhou e que lhe deu as quatro filhas que ele tanto amou, a Maria que tantas vezes ele arreliou e ela perdoou. Na ombreira da porta eu assisti: a sua face pálida ganhou cor, os seus olhos pequeninos brilharam de plena felicidade e a sua boca se abriu com um enorme sorriso ( o maior e mais bonito sorriso de felicidade que eu já vi em toda a minha vida !) e disse: ” Maria, senta-te aqui.”
Minha Avó se sentou à cabeceira da cama e ele com o mesmo sorriso disse já numa voz mais apagada: ” Abraça-me.”
Minha Avó o entrelaçou e eu vi os seus olhos pequeninos fecharem-se para todo o sempre, acompanhado com aquele sorriso lindo de felicidade ! 

Devia-te esta homenagem, Avô !

O teu neto Joaquim,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,Dia de chuva

30/08/2015 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Trazias

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“…trazias o perfume de uma flor e o sabor de uma iguaria… trazias tudo o que eu desejava, o que eu queria… trazias contigo a doçura do teu olhar e a leveza do teu toque para o meu corpo amaciar… trazias o sol e o brilho das estrelas… trazias o sorriso estampado na pele e o cheiro da maresia quando se espalha na areia… trazias tudo o que um homem anseia… trazias o amor dentro de ti, o amor que se dá e não se regateia, o amor que sempre perdura mesmo quando partes… trazias a esperança no rosto e os lábios entreabertos prontos para o beijo, para o doce toque em que todos os sabores se transformam em mel… de braços abertos meu ser te aguardava, ansioso… certo da tua vinda, da tua chegada… e o abraço se deu num enlaçar de paz e de ternura… e todo o ser se deu e se recebeu e as mãos se entrelaçaram… e num serpentear de passos arrastados porque leves, os caminhos nos levaram… e o sabor a tudo num leito se aconchegou… e o amor que veio e o amor que esperou, por ali, naqueles instantes infinitos, se quedou e a si mesmos se entregaram na paz que só os que amam sabem sentir…”

18/12/2012 Posted by | Diversos | 2 Comentários

A caixinha de marfim

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“…eram extremamente apelativos… estavam ali à minha disposição… em cima da mesinha de cabeceira… era uma caixinha escura que ela usava para ter à mão os comprimidos que a faziam dormir… nunca liguei qualquer importância ao valor daquela caixinha e, no entanto, ela continha o passaporte para uma viagem, uma sem retorno… nunca houvera pensado nisso, excepto naquela noite… uma noite em que ela não estava ali deitada comigo (nunca mais estaria)… uma noite em que acabara de chegar de mais um bar e depois de ter ingerido um bom pedaço de álcool para me aquecer a alma tão fria e tão dormente que já nem a sentia… também, para que queria eu uma alma?… que é que ela me dá ou me faz?… a caixinha preta continuava ali… quantos comprimidos teria ela deixado desde a última vez que a encheu depois de os tirar da embalagem de marca do medicamento?… a minha mão direita estendeu-se para aquela caixinha preta tão apelativa como tão consoladora pelo imaginário que já me estava a provocar… não custaria nada e dormiria para sempre… tão bom… era disso que eu estava a precisar ou seria de mais um pouco de gin?… mas para tomar os comprimidos eu precisava de beber alguma coisa e essa coisa estava também ali à mão… debaixo da cama, talvez também deitada no chão por cima do tapete… teria ainda algum líquido?… o suficiente para engolir os comprimidos?… já não tinha forças para me levantar e ir buscar outra garrafa… a caixinha preta continuava ali e a minha mão já estava em cima dela… senti aquela textura (penso que era marfim) sob os meus trémulos dedos mas senti-a fria e um arrepio percorreu-me a coluna… ou teria sido outro tipo de arrepio?… não sei quanto tempo estive com aquela caixinha na mão… não sei quanto tempo demorei a tomar uma decisão… não sei quanto tempo a olhei com um turvo olhar… não sei porque razão não a segurei… dei por mim a olhar para ela sem saber para que é que ela servia e naquele momento apenas me apeteceu dormir… tão perto do derradeiro sono… tão desejado… ali tão à mão… reparei então que estava deitado sobre o lugar dela com o braço direito estendido para a mesinha de cabeceira segurando a caixinha preta que continha o passaporte para a derradeira viagem… tantas vezes assim estivemos… tantas vezes senti o seu calor, o seu respirar, o seu arfar… tantas vezes assim ficamos depois de fazermos amor… e, neste estúpido momento, repetia aquela posição estendendo a minha mão para uma viagem… não consegui conter o choro… não consegui aguentar as lágrimas… não consegui segurar a caixinha preta… não consegui partir… restou-me a certeza que no dia seguinte teria mais uma noite de frio…”

06/12/2012 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Estrelas

“… e as estrelas chegaram e trouxeram-me o suave sorriso dos teus lábios… e vinha com a claridade prateada da lua que se escondia da tua beleza… e as estrelas me trouxeram a doçura do teu olhar em arcos de luz, essa claridade da tua alma que tanto me seduz… e vinha com o brilho da tua pele macia como a seda que qualquer bicho-da-seda teceria… e as estrelas chegaram e me presentearam com o calor doce do teu toque… sentir-te é uma benção que traz a paz ao deitar meu enlevo no teu regaço e,  sem espaço, vinha o luar espreitar… sorria ele ao ver-te chegar e sabia ele da minha alegria em te receber, plena de luz e de amor que qualquer deus sabia antever… abristes os braços e te deste em sintonia com a veste que não trazias… não precisavas pois tu mesma eras todos os véus que cobrem as estrelas de todos os céus… sorrias nessa entrega plena de dádiva que eu tanto queria… estavas ali, cheia de ti, pronta para mim… porque as estrelas te trouxeram num mar de pétalas de uma doce rosa em qualquer jardim… o meu…”

(photo from lobices.photobucket)

12/11/2012 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Queria ser o teu sonho

“…Em frente ao espelho da cómoda do teu quarto, sentada num banquinho forrado a tecido de cortinado vermelho, penteavas os teus cabelos, num ritual que funciona mesmo sem dares por isso… a escova passava ora uma, ora duas vezes, de cima para baixo e alisava os teus cabelos sedosos, cor de mel e de marfim… brilhavam no espelho e te revias momento a momento numa expectativa de mudança, o que não acontecia pois não podias ficar mais bela do que aquilo que já eras… a beleza em ti não residia nem morava … era!… A tua camisa de noite, acetinada bege, de rendas sobre o peito alvo de seios firmes e redondos, deixava transparecer a cor da tua pele suave e doce ao olhar sem ser preciso tocar… a tua cama de lençóis de prata, aguardava o teu corpo numa ânsia lasciva de quem à noite, só, te espera num desespero de intocabilidade… e tu, demoravas… da cómoda tiraste um frasquinho de perfume e te ungiste com ele o que provocou um agradável respirar a todos os móveis que te rodeavam… e a tua cama, ansiava pela tua presença… e o teu corpo demorava a conceder-lhe esse desejo… levantaste-te de frente do espelho e te miraste novamente de corpo inteiro e gostaste da tua imagem alva e bela naquele quarto iluminado pela tua presença… olhaste de soslaio e sorriste… sentaste-te na beira da cama e esta suspirou docemente perante a antevisão de que breve te possuiria… Tiraste os teus pézinhos leves de dentro dos chinelos de cetim vermelho, levantaste um pouco o lençol e te entregaste total e lentamente ao prazer de estender do teu corpo e da entrega final ao teu leito… a tua cama nem sequer se moveu… aquietou-se para não te perturbar, para que não te arrependesses daquilo que acabaras de fazer, com medo que te levantasses e ela te voltasse a perder… a tua cama inspirou baixinho a fragrância do cheiro da tua pele e deixou-se ficar aguardando o teu próximo movimento… deitada de bruços te deixaste finalmente ficar e tua cabeça leve pousada de mansinho na almofada, arfava lentamente o teu respirar de prazer por mais uma noite de descanso e de sonhos… Teus olhos semicerrados viram a lâmpada acesa e teu braço se estendeu ao interruptor da mesinha de cabeceira para a desligares… os teus movimentos eram propositadamente lentos para que o tempo demorasse ainda mais do que aquele que já existia… e a tua cama sentia… na obscuridade do teu quarto, teus olhos semicerrados olharam o tecto e se fixaram na sua alva cor que permitia uma réstia de luz no meio da escuridão… olhaste a janela e pelas frinchas da persiana, divisaste a luz cinzenta duma lua crescente… avizinhava-se uma noite de lua cheia e teu corpo descansou por um momento… a tua cama então suspirou e te abraçou fortemente… em suas mãos te acabavas de entregar… e o sono chegou…. adormeceste… não sei mais o que se passou… a noite decorreu, teu corpo diversas vezes se moveu… a tua cama não se movia, com receio de te acordar… abraçava-te sempre para não te deixar fugir… sentia-te sua e possuía-te num sonho imenso de impossibilidade, de impotência, de raiva, por não te conseguir ter tendo-te ali… tua mente adormecida, movia-se e sabia-se que sonhavas… a tua cama te tinha ali, indefesa, sozinha… sonhavas e eu aqui, nada mais te pedia… nada mais desejava… queria apenas ser o teu sonho…” (Photo from dandaramachado.wordpress.com.in.google)Ver mais

31/10/2012 Posted by | Diversos | 2 Comentários

Par

“…Não há perto nem longe, nem local nem ausência, nem lágrima nem sorriso, nem fuga nem prisão… Para amar basta querer ser e estar… numa entrega total… Não ser apenas um corpo com outro corpo mas ser muito mais do que isso: ser o par!… Ser o desejo de ser… ser o desejo de estar ali em corpo e alma numa fusão única, num momento só…”

20/09/2012 Posted by | Diversos | 2 Comentários

O que tu és

“… és sinónimo de paz, na palavra que me dás… és sinónimo de beleza
nesse olhar profundo sem mácula de tristeza… és sinónimo de alegria no toque
suave que em mim um teu sorriso cria… és sinónimo de paixão quando disfruto o
bater mais forte do meu coração… és sinónimo de harmonia quando me beijas
enlaçados em sintonia… és sinónimo de luz quando no escuro da noite teu amor
me seduz… és sinónimo de serenidade quando no abraço matamos a saudade… és
sinónimo de ternura quando na partida o teu olhar em meus olhos perdura… és
sinónimo de puro amor quando nos afagamos com a alma e os corpos sem pudor… és
saudável loucura quando sinto a nossa mútua procura e nos afogamos no delirar de
um sentir que tudo é tão simples quando sabemos porque é que nos estamos a
amar… és tudo o que um simples mortal busca na imortalidade que a qualquer um
ofusca no silêncio do grito que amaina a febre do ruído que quebra tudo mesmo
que fosse granito… és tudo o que o amor busca no olhar, no toque, no beijo que
de momento em momento se reduz ao desejo, trazendo como prenda, tecido em flocos
de doce renda, o caminho percorrido como sempre desejado, obtido e que a luz em
nossos corações se acenda para num florir matinal ou num anoitecer normal, o
doce sabor nos acorde ou nos adormeça em profunda certeza que o dia seguinte
mais não será do que um novo fruir do amor que nos envolve e a cada momento nos
devolve na mais plena pureza do aceno tão natural como há pouco sobre nós
desceu… porque se te sinto minha, sei que me sentes teu…”

27/08/2012 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Desejo

“… o teu corpo perfeito, deitado no leito, de pura seda acetinada feito, exalava o perfume perfeito… deixava antever, sem te tocar nem sentir, o esbelto prazer de olhar para ele e bastar sorrir… mais não seria necessário se a força do desejo se quedasse por ali… mas a languidez da libido perfurava todo o sentido em te possuir… aproximei-me de ti sem te olhar e sem que me visses… era apenas um desejo que bastava que sorrisses para que eu parasse e não prosseguisse… mas os teus lábios carnudos abriram-se em pétalas desnudos e me sorriram num convite perfeito… o ardor estava ali, a teus pés e meu corpo teceu o desejado amor de tudo o que depois aconteceu… volteámos a alma, os sentidos, a voz rouca, o arfar da pele, o toque no teu mar e o saboroso doce a mel… perfurei tuas entranhas em doces movimentos com forças tamanhas que te fizeram sugar teus próprios gemidos… a doçura perdura dentro de nós e antevê-se nos nossos olhos o desejo de, novamente, a sós, voltarmos a ser um só corpo e um só desejo num derradeiro lampejo de profunda paz… o deleite do amor que ele nos traz…”

25/08/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Basta

…eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que já anda dentro de mim há milhares de anos e nunca tive essa oportunidade…

…há dias, quando surgiste na minha vida, um pouco alheada do próprio mundo, quando ali surgiste espelhada na minha alma, eu estive quase quase para te dizer…

…penso que me faltou a coragem e a voz se me embargou; calei dentro de mim o que deveria ter gritado; talvez tenha esquecido a forma de gritar, talvez só saiba calar… não sei… já não sei…

…mas eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que me possui e me rasga a mente, num acto demente do meu próprio ser de aqui estar sem saber falar, sem saber o que te dizer, sem saber gritar o que tanto tenho calado… milhares de anos de silêncio dentro de mim…

…milhares de anos de solidão da minha própria voz; milhares de anos de espera que surjas ali à esquina, em qualquer lugar, e num momento de paz eu te possa gritar todo o meu amor…

…áhh dor que dói e me corrói a alma de tanto calar esta tão louca forma de te amar… dor de aqui estar e não saber o que te dizer, de não saber traduzir esta minha forma de tão somente te sorrir…

…e sorrio-te a todo o instante, aqui, ali, em qualquer lugar ainda que distante… não me preocupa se me ouves, se escondes as palavras que tão docemente me são devolvidas porque não enviadas; doces palavras de paz, ternura, carinho, amor… em doses de candura mas eivadas de toda a minha dor…

…estão aqui mas sei que tinha qualquer coisa para te dizer; como posso gritar se a voz se me tolda em silêncios ocos e sem eco ou se com eco ecoam apenas dentro do meu vazio, um vazio que não preencho ou se preencho apenas o preencho com a minha própria alma já de si tão gasta por durante todos estes milhares anos não me teres dito: Basta!…

09/08/2012 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Serenidade

26/06/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Encontro

…“…trazias o perfume de uma flor e o sabor de uma iguaria… trazias tudo o que eu desejava, o que eu queria… trazias contigo a doçura do teu olhar e a leveza do teu toque para o meu corpo amaciar… trazias o sol e o brilho das estrelas… trazias o sorriso estampado na pele e o cheiro da maresia quando se espalha na areia… trazias tudo o que um homem anseia… trazias o amor dentro de ti, o amor que se dá e não se regateia, o amor que sempre perdura mesmo quando partes… trazias a esperança no rosto e os lábios entreabertos prontos para o beijo, para o doce toque em que todos os sabores se transformam em mel… de braços abertos meu ser te aguardava, ansioso… certo da tua vinda, da tua chegada… e o abraço se deu num enlaçar de paz e de ternura… e todo o ser se deu e se recebeu e as mãos se entrelaçaram… e num serpentear de passos arrastados porque leves, os caminhos nos levaram… e o sabor a tudo num leito se aconchegou… e o amor que veio e o amor que esperou, por ali, naqueles instantes infinitos, se quedou e a si mesmos se entregaram na paz que só os que amam sabem sentir…”

10/06/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Amantes

“… e o amor não se esgota nos momentos em que os amantes se encontram… o amor perdura para além deles, dos momentos e dos próprios amantes… o amor fica em cada um como uma marca no tempo que vai para lá do tempo em que foi… o amor vai com cada um e reaje ao menor sinal de memória… reactiva-se a si próprio quando já lá não está, naquele momento em que se ama… eleva-se para além da sua m…eta e tenta chegar ao momento seguinte, momento esse que não se sabe se vai existir mas que se deseja e do qual se sabe apenas que será um novo momento… o amor não se esgota no momento em que os corpos se esgotam e descansam… o amor vai além desse esvair porque se não for nunca será amor… o amor não se esgota no peito de cada um porque continua na memória de ambos… o amor é isso, é saber que não foi só e apenas aquele momento… o amor prolonga-se a si próprio para além de si mesmo e daqueles que o vivem… o amor está para lá do próprio amor…”

08/06/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Adormecendo

“… deixa enroscar-me nos teus braços… coloca tua mão na minha cabeça e enrola os teus dedos nos meus raros cabelos… baixa um pouco a tua fronte e beija a minha boca… deixa enroscar-me no teu colo… sentir a tua maciez e ver de baixo para cima o teu sorriso… ver-te junto a mim e saber-te ali comigo… de tal forma que quando olhas eu sou o teu olhar… de tal forma que quando sorris eu sou os teus lábios… de tal forma que quando me afagas eu sou a tua mão… de tal forma que quando me tocas eu sou o teu corpo… de tal forma que quando me olhas eu sou o teu olhar… deixa pousar o meu cansaço na tua serenidade e sentir a tua paz na minha guerra… baixar as armas e sentir a trégua na tenda que se ergue no deserto da batalha… humedecer as mãos na brisa da água que corre no ribeiro que nos circunda… lavar a cara na frescura do vento que nos embala… sentir que nem tudo é real mas que o sonho nos preenche… sentir que, por vezes, só o desejo chega, só o querer basta, só o pensar nos satisfaz… deixa-me ser não só a realidade mas também o que não somos… deixa-me olhar para dentro de ti e ver-me inteiro… deixa-me tocar-te com o sonho e saber-me parte dele como sei que ele é uma parte do meu eu verdadeiro…”

04/06/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

E em ti Mulher, eu me eternizo

“…Os meus olhos pousam em ti e todos os meus sentidos te olham num delirar mútuo de atenção… Vejo o teu corpo e deleito-me na tua alvura… Cheiro o teu cheiro e aspiro a tranquilidade da tua paz… Ouço o teu respirar lento, como um lamento que não lamento… As minhas mãos tocam os teus cabelos e envolvem-se neles… Acerco-me de ti e te toco… Te sinto global e ali inteira frente a mim… Beijo a tua boca e tudo se torna como num festim de doces carícias e sabor a sal… Estou inteiro no teu corpo inteiro e me sinto nele como sinto o teu corpo em mim… É apenas um abraço, um enlace de braços que apertam sem apertar, sentindo apenas o teu respirar… Minhas mãos percorrem a tua pele acetinada linda… Fecho os olhos procurando apenas sentir… E sinto o desejo crescer em mim e o teu arfar sobe de tom… Como é bom… A minha boca se cola na tua boca e a minha língua se funde dentro dela como se da tua se tratasse… É apenas mais um enlace… Sinto o teu peito quente junto ao meu e beijo teus mamilos num acto de procura da loucura… Loucura que me invade lentamente, premente ali presente ou então como se tudo mais estivesse ausente… Meus braços te envolvem e se descobrem momento a momento como se fosse a primeira vez que no teu corpo se movem… Sinto o cálido odor do teu corpo quente de amor, oferecendo-se como numa espécie de orgia sem pudor… Minhas mãos tacteiam centímetro a centímetro toda a tua pele, todos os recantos de teus encantos e se encontram, de repente, sobre o teu ventre quente, dolente… Afago tuas coxas e as tuas ancas e as aperto contra mim… Procuro o teu sexo e o acaricio… Beijo-te completamente num único beijo e me torno desejo do teu próprio desejo… Te envolvo num abraço mais e te penetro… És tu que me possuis… Não te tenho, és tu que me tens… Movimentos se entrelaçam como se não fossemos dois mas um só… Os nossos corpos se fundem num arfar profundo de loucura… Já não sei o que sou, apenas em ti estou… Eu sou tu e tu és eu numa fusão de ser e estar… Na verdade és tu que me possuis, eu não te tenho, és tu que me tens, em ti eu me dou…E em ti me eternizo…”

01/06/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Porque te amo ?

“…amo-te porque te amo… porque me sinto bem quanto te olho… quanto te toco… quando te beijo… quando sinto a tua pele perfumada junto da minha… quando te vejo sorrir para mim… quando ouço a tua voz… quando te ris… quando me tocas, me acaricias e me fazes sentir homem… amo-te quando me dizes que também me amas, quando me dizes gostar de mim, quando me olhas e vejo no teu olhar a tua alma e o reflexo da minha… quando sabemos que nada mais no mundo nos importa… quando sentimos que tudo o que gira à nossa volta está parado e somos o centro de tudo… amo-te quando te digo que te amo, quando te sussurro palavras ternas, quando ouço as que me dizes… amo-te quando me dás um mimo, um sabor, o roçar ao de leve ou mesmo forte… amo-te porque te amo… porque te sinto bem quando me olhas… quando me tocas… quando me beijas… quando sinto que sentes a minha pele… quando te sorrio… quando ouves a minha voz… quando me rio… quando te toco, quando te acaricio e te faço sentir voar… amo-te quando estou aqui ou aí… amo-te mesmo quando não estamos ou não somos… amo-te porque sei que te amo, porque sinto que te amo, porque vivo esse amor duma forma terna, doce, suave e pura mesmo quando os corpos se entrelaçam e vibram em loucura… amo-te assim, tão simples…tão tudo em ti e em mim…”

28/05/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Encontro

“…trazias o perfume de uma flor e o sabor de uma iguaria… trazias tudo o que eu desejava, o que eu queria… trazias contigo a doçura do teu olhar e a leveza do teu toque para o meu corpo amaciar… trazias o sol e o brilho das estrelas… trazias o sorriso estampado na pele e o cheiro da maresia quando se espalha na areia… trazias tudo o que um homem anseia… trazias o amor dentro de ti, o amor que se dá e não se regateia, o amor que sempre perdura mesmo quando partes… trazias a esperança no rosto e os lábios entreabertos prontos para o beijo, para o doce toque em que todos os sabores se transformam em mel… de braços abertos meu ser te aguardava, ansioso… certo da tua vinda, da tua chegada… e o abraço se deu num enlaçar de paz e de ternura… e todo o ser se deu e se recebeu e as mãos se entrelaçaram… e num serpentear de passos arrastados porque leves, os caminhos nos levaram… e o sabor a tudo num leito se aconchegou… e o amor que veio e o amor que esperou, por ali, naqueles instantes infinitos, se quedou e a si mesmos se entregaram na paz que só os que amam sabem sentir…”

24/05/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Saudades

“…Tenho saudades tuas… Queria ter-te aqui comigo, a meu lado, de mãos dadas ou de olhos nos olhos… Cingir-te a cintura e apertar-te contra mim e sentir teu corpo… Desejar o teu desejo… Ouvir teu coração bater com a minha face sobre o teu peito… Beijar-te a boca e saber-me dentro de ti… Sentir-me mais uma vez como as muitas que senti… Tenho saudades tuas… Chamar pelo teu nome… Ouvir a minha voz pronunciar esse som e saber-me respondido com o teu sorrir… Estar onde estás e saber-me contigo, aberto de mim para te receber em plenitude… Entrar no teu ser e saber-me lá residente, não ontem nem hoje mas, sempre… Perder-me no teu labirinto e jamais encontrar a saída… viver os caminhos e as esquinas que se cruzassem à nossa frente e deixar de conhecer o tempo que nos cerca… olvidar a dor da ausência do teu doce amar… Tenho saudades tuas…”

23/05/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Tempo para acordar

19/05/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Tempo para dormir

23/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Carta a meu pai

“…faz hoje 26 anos que partiste… Estás noutro local, um local para onde foste, um local de sossego, de paz, não é ?… Tenho saudades tuas, pai !… Lembras-te do dia em que nos disseste até breve ?… Lembras-te dos dias em que sempre estiveste a nosso lado, lembras-te de tudo de bom que se passou antes de ires, lembras-te de tudo de mau que se passou antes de ires ?… Recordas o dia em que eu nasci, recordas o dia em que passaste ao estatuto de pai ?… Sei perfeitamente que te recordas e que só por isso te valeu a pena viver; sei que viveste em função dos teus, daqueles que faziam parte da tua própria vida, daqueles que eram a razão da tua existência!… Sei muito bem o quanto sofreste por mim e por todos os teus; sei perfeitamente o quanto lutaste para que nada me faltasse, para que tudo estivesse sempre bem… Lembras-te do dia em que te faltou algo para que eu não sentisse essa falta ?… Lembras-te do dia em que não comeste para que eu tivesse comida ?… Lembras-te do dia em que poupaste nos cigarritos para que eu tivesse dinheiro para o meu tabaco ?… Lembras-te do dia em que tiveste de pedir a um amigo para teres dinheiro para mim ?… Lembras-te do dia, de todos os dias da tua vida em que passaste mal para que em todos os dias da minha vida eu passasse bem ?… Lembras-te ?… Sei que te lembras e sei que sabes que tenho saudades tuas… um beijo para ti, pai!…”

20/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Sempre belo

19/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

O meu último cigarro

“… tudo aconteceu num ápice, num momento normal da vida… era cerca do meio dia e meia hora do dia 18 de Abril do ano de 1988 e encontrava-me de pé encostado ao balcão do café do Luís a comer uma tosta mista e a beber uma cerveja… de repente, a minha vista esquerda deixou de ver… tapei o olho direito com a mão e apenas via um cinzento prateado e uma mancha escura para o lado esquerdo… calmamente, continuei a comer, comi mais um bolito e bebi o meu café… saí normalmente, segui para o meu escritório e fui lavar a cara e deitar água para a vista… mas nada aconteceu, tudo se manteve na mesma… a pé, dirigi-me para a Clínica Santo António, ali perto, entrei, segui até ao balcão e com uma calma tremenda disse à funcionária: – Desculpe, estou a perder a visão, estou a sentir-me mal e a entrar em pânico… por favor, vá transmitir isto ao Médico (por acaso, havia Oftalmologia e havia um em serviço àquela hora)… a moça, muito atónita a olhar para mim, lá se levantou da sua cadeira e seguiu em direcção ao gabinete clínico… quando regressou, um minuto depois, disse-me: – venha se faz favor que o senhor doutor atende-o já… depois de agradecer lá segui para a sala de espera… de dentro do gabinete saiu um doente e eu entrei de imediato… contei o que se estava a passar, fui bem examinado e o diagnóstico foi-me dado logo ali: – o senhor acaba de ter um AVC e precisa de ir imediatamente para a Neurologia. Aguarde um momento que eu vou ver se o meu colega está de serviço… ali fiquei a aguardar… a calma aparente obrigou-me a acender um cigarro, o último que fumei, seriam cerca das 15 horas desse dia… quando o oftalmologista regressou levou-me para o gabinete da neurologia onde o especialista me examinou e confirmou o diagnóstico anterior… passou-me um relatório e disse-me para ir ao Delegado de Saúde carimbar o chamado P1 para poder ir fazer de imediato um TAC… assim fiz… no dia seguinte, de manhã, obtido o documento segui para o Porto onde fiz o dito exame… deitei-me na bela marquesa do túnel do terror e surge um enfermeiro de seringa na mão… aí eu disse: – Um momento por favor: o que vai fazer?… ao que ele me explicou ir injectar-me o iodo para contraste e que iria sentir um ardor na cara que desceria pelo peito até às pernas e que desapareceria nos pés… (assim, na verdade, aconteceu) mais descansado, fiquei estático com a cabeça presa por uma fita e disseram-me para não me mover e olhar para uma luzinha vermelhinha que estava por cima da minha testa… e, pronto, ao fim de uns minutos, saí do túnel e mandaram-me esperar para ver o resultado… havia, na verdade, sofrido um pequeno acidente vascular cerebral provocado por arteriosclerose tabágica (durante 27 anos havia fumado 2 maços diários)… mandaram-me embora com a famosa receita da Aspirina 100 e que deveria ser seguido pela especialidade e fazer uns campos visuais de quando em vez… entretanto, a cegueira foi abrandando apesar de ter durado 33 horas… segui os conselhos e, nunca mais fumei… faço assim, hoje, 24 anos sem tabaco… creio que foi uma vitória apesar de a ter conseguido por ter apanhado um dos maiores sustos da minha vida… e aqui acabei de contar a minha odisseia de como parei de fumar…”

18/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Anatomia do beijo

“…coloco um beijo na palma da minha mão e olho-o para o estudar, para o entender, para saber algo mais sobre ele… a sensação é apenas de toque suave dos meus lábios na palma da minha mão… nada mais retenho que o saber que senti a minha pele tocada pela minha própria boca… preciso saber mais sobre o beijo… examinar minuciosamente de forma a sentir o beijo como algo físico, palpável, real… então, aproximo-me de ti e olho-te nos olhos, nesses olhos que brilham dentro de mim como se tu não estivesses ali mas aqui, como se tu fosses parte do meu ser… toco-te com as minhas mãos nos teus ombros e dou um passo em direcção a ti… tua face serena, abre-se num sorriso… levo a minha mão aos teus cabelos e acaricio-os deslizando na seda dos mesmos… os nossos corpos encostam-se ao de leve num toque global presente sem ausência de sentidos, bem pelo contrário, com os sentidos todos em alerta… olho a tua boca entreaberta nesse sorriso que me encanta e seduz… és luz… és sol… és brilho em meu redor… humedeço meus lábios e aproximo-me lentamente da tua face… toco com eles ao de leve na pele que reluz perante o meu olhar… sinto o sal… um sabor leve a mar… os meus lábios tocam as tuas pálpebras fechadas para receber o meu beijo… sinto um suave sentir, um sorrir no olhar como se de outra boca se tratasse… retiro a minha boca e olho-te de novo… preciso saber o porquê do beijo saber a tudo o que tu és, numa dimensão de ser paz, doçura, mel e mar… vejo-te humedeceres os teus lábios e muito suavemente toco-os com os meus… mantenho a minha boca ao de leve no teu lábio superior e de seguida saboreio o teu lábio inferior… e sinto amor…sinto que preciso de sentir mais, de saber mais e melhor o porquê da paixão… é nesse momento que toco em completo a tua boca e saboreio o mel que tal sensação me transmite… as línguas tocam-se ao de leve para em seguida se fundirem num só beijo, num só toque… já não são duas bocas que se beijam pois é apenas o beijo em si mesmo que ali se encontra, se forma, se transmuta, se torna ávido e sereno ao mesmo tempo… mantemos o sentir tais sentidos, leves, lábios mordidos, línguas entrelaçadas e o sabor doce penetrar em permuta o âmago daquela sensual luta de pele com pele, de alma com alma, de corpo com corpo… e a paixão nasce daí e cresce em mim como em ti… saboreamos o momento… entramos em transe e deixamos de ser quem somos… e o beijo perdura num planar de doçura… e o beijo se torna dono de nós num galopar de sensações plenas, profundas mas de tal forma suaves e serenas que o beijo deixa de ser beijo para passar a ser desejo…”

13/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

O som do vento

11/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Existem pontes para serem atravessadas

Imagem

10/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Aleluia

08/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

E as núvens se abriram

07/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Veludo

03/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Dia de Ramos

01/04/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Adormecendo

“… deixa enroscar-me nos teus braços… coloca tua mão na minha cabeça e enrola os teus dedos nos meus raros cabelos… baixa um pouco a tua fronte e beija a minha boca… deixa enroscar-me no teu colo… sentir a tua maciez e ver de baixo para cima o teu sorriso… ver-te junto a mim e saber-te ali comigo… de tal forma que quando olhas eu sou o teu olhar… de tal forma que quando sorris eu sou os teus lábios… de tal forma que quando me afagas eu sou a tua mão… de tal forma que quando me tocas eu sou o teu corpo… de tal forma que quando me olhas eu sou o teu olhar… deixa pousar o meu cansaço na tua serenidade e sentir a tua paz na minha guerra… baixar as armas e sentir a trégua na tenda que se ergue no deserto da batalha… humedecer as mãos na brisa da água que corre no ribeiro que nos circunda… lavar a cara na frescura do vento que nos embala… sentir que nem tudo é real mas que o sonho nos preenche… sentir que, por vezes, só o desejo chega, só o querer basta, só o pensar nos satisfaz… deixa-me ser não só a realidade mas também o que não somos… deixa-me olhar para dentro de ti e ver-me inteiro… deixa-me tocar-te com o sonho e saber-me parte dele como sei que ele é uma parte do meu eu verdadeiro…”

27/03/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Serenidade de guardiã

26/03/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Sítios do meu novo sítio

17/03/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Mudança – meus novos domínios

12/03/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Um pequeno

07/03/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Inversão

01/03/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Tenho saudades tuas

“…Tenho saudades tuas… Queria ter-te aqui comigo, a meu lado, de mãos dadas ou de olhos nos olhos… Cingir-te a cintura e apertar-te contra mim e sentir teu corpo… Desejar o teu desejo… Ouvir teu coração bater com a minha face sobre o teu peito… Beijar-te a boca e saber-me dentro de ti… Sentir-me mais uma vez como as muitas que senti… Tenho saudades tuas… Chamar pelo teu nome… Ouvir a minha voz pronunciar esse som e saber-me respondido com o teu sorrir… Estar onde estás e saber-me contigo, aberto de mim para te receber em plenitude… Entrar no teu ser e saber-me lá residente, não ontem nem hoje mas, sempre… Perder-me no teu labirinto e jamais encontrar a saída… viver os caminhos e as esquinas que se cruzassem à nossa frente e deixar de conhecer o tempo que nos cerca… olvidar a dor da ausência do teu doce amar… Tenho saudades tuas…”

26/02/2012 Posted by | Diversos | 2 Comentários

Quarta feira de cinzas

22/02/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Adeus, Mãe

…E PORQUE TODOS LHE DERAM OS PARABÉNS QUANDO ELA FEZ 96 ANOS… E PORQUE É DE MINHA VONTADE, VENHO DIZER QUE A MINHA MÃE PARTIU ESTA NOITE EM COMPLETA PAZ…

19/02/2012 Posted by | Diversos | 3 Comentários

Por amor

«Um até já, meu amor, que por amor se corre e por amor se não percorre… um até já, meu amor, pelas correrias que correste e pelas paragens à minha espera… um até já, meu amor, pelo amor caminhado, pelo amor parado como os dias que correm á nossa frente e nos arrastam irremediavelmente para essa morte… a morte do amor que de amor morreu no dia em que em vez de um até já, me disseste adeus…»

18/02/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Dia dos Namorados

14/02/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Nunca te falei de amor

 “… nunca te falei de amor… tenho falado imenso sobre como amar ou sobre o que é amar ou sobre a diferença entre o amar e o gostar… tenho falado muito sobre como é que sabemos quando estamos a amar, quando sabemos o que é amar… como é amar, porque amar é o único caminho… mas nunca te falei de amor… nunca te falei desse sentimento lindo que me envolve numa capa protectora e me faz sentir feliz e bem disposto… nunca te falei desse sentimento tão nobre e tão belo que nos faz sentir o principe dos contos de fadas… nunca te falei de amor apesar de já ter falado tanto de como amar-te… é fácil amar-te… é bom amar-te… é tão doce saber que te amo, que te estou amar como é doce saber que me amas, que me estás a amar… é tão simples e tão perene o saber que amamos, que nos amamos, que somos um só apesar de formados por dois seres distintos… é tão bom amar-te… tão simples amar-te… tão doce saber-me amado… pois, mas nunca te falei de amor… do que é o amor, de que é que ele é feito e do que é que ele nos faz… como tenho dito, quando falo de amar, amar é sofrer, por isso e em primeiro de tudo, o amor é dor… é uma dor que nos preenche o peito e se alastra pela alma adentro como se de uma doença se tratasse… depois, não tem cura e a febre sobe e o amor recrudesce e enobrece quem ama… o amor é o fruto do acto de estarmos a amar… por isso, o amor dói… é como se fosse um parto com dor, quando se ama… do acto de amar nasce o amor e desse nascer, dessa alvorada de luz, a dor povoa-nos e cerca-nos para o resto das nossas vidas… amar é tão simples, tão fácil, tão bom, tão doce… é apenas doarmo-nos ao outro numa entrega total e sem esperar nada no retorno… daí que seja fácil pois dar é apenas uma acção… o amor é o que nasce, o que vem, o que surge dessa acção, dessa atitude de dádiva… e, por isso, dessa dacção, dessa entrega, algo sai de nós, algo se desprende de nós e é esse algo que transforma o acto de amar numa dor profunda, numa dor quente, numa dor sem dor mas que dói… e é nessa dor que sentimos que se ama, é no sentir dessa dor que sabemos que estamos a amar e a sermos amados… é nessa dor que se nos revelamos um ao outro com a fusão de dois seres num só… e nessa fusão, o amor é… e ele só o é, ele só existe, ele só é real se nos fizer doer… e quão purificadora é essa dor, quão sereno é esse sofrer, esse acto de querer, esse acto de receber já que amar é dar, o amor é o que se recebe e nesse saber que temos algo que nos é dado pelo outro, sabemos porque a dor, a partir daí, se instala, vibra, arrepanha, angustia, inebria também, anestesia-nos e a dor se transforma, por aceitação, na mais doce forma de amarmos… se não sentires que te dói então é porque não amas… bendita, pois, a dor que me invade, que me transcende e me faz saber o quanto te amo!…”

10/02/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Explosão solar

05/02/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Delicadeza

02/02/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Anatomia de um beijo

“…coloco um beijo na palma da minha mão e olho-o para o estudar, para o entender, para saber algo mais sobre ele… a sensação é apenas de toque suave dos meus lábios na palma da minha mão… nada mais retenho que o saber que senti a minha pele tocada pela minha própria boca… preciso saber mais sobre o beijo… examinar minuciosamente de forma a sentir o beijo como algo físico, palpável, real… então, aproximo-me de ti e olho-te nos olhos, nesses olhos que brilham dentro de mim como se tu não estivesses ali mas aqui, como se tu fosses parte do meu ser… toco-te com as minhas mãos nos teus ombros e dou um passo em direcção a ti… tua face serena, abre-se num sorriso… levo a minha mão aos teus cabelos e acaricio-os deslizando na seda dos mesmos… os nossos corpos encostam-se ao de leve num toque global presente sem ausência de sentidos, bem pelo contrário, com os sentidos todos em alerta… olho a tua boca entreaberta nesse sorriso que me encanta e seduz… és luz… és sol… és brilho em meu redor… humedeço meus lábios e aproximo-me lentamente da tua face… toco com eles ao de leve na pele que reluz perante o meu olhar… sinto o sal… um sabor leve a mar… os meus lábios tocam as tuas pálpebras fechadas para receber o meu beijo… sinto um suave sentir, um sorrir no olhar como se de outra boca se tratasse… retiro a minha boca e olho-te de novo… preciso saber o porquê do beijo saber a tudo o que tu és, numa dimensão de ser paz, doçura, mel e mar… vejo-te humedeceres os teus lábios e muito suavemente toco-os com os meus… mantenho a minha boca ao de leve no teu lábio superior e de seguida saboreio o teu lábio inferior… e sinto amor…sinto que preciso de sentir mais, de saber mais e melhor o porquê da paixão… é nesse momento que toco em completo a tua boca e saboreio o mel que tal sensação me transmite… as línguas tocam-se ao de leve para em seguida se fundirem num só beijo, num só toque… já não são duas bocas que se beijam pois é apenas o beijo em si mesmo que ali se encontra, se forma, se transmuta, se torna ávido e sereno ao mesmo tempo… mantemos o sentir tais sentidos, leves, lábios mordidos, línguas entrelaçadas e o sabor doce penetrar em permuta o âmago daquela sensual luta de pele com pele, de alma com alma, de corpo com corpo… e a paixão nasce daí e cresce em mim como em ti… saboreamos o momento… entramos em transe e deixamos de ser quem somos… e o beijo perdura num planar de doçura… e o beijo se torna dono de nós num galopar de sensações plenas, profundas mas de tal forma suaves e serenas que o beijo deixa de ser beijo para passar a ser desejo…”

28/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Poetas

“…quis ser um poeta que tivesse asas… e poesia em cada voo… quis ser um poeta cujas palavras vos enchesse a casa… e que vos reencontrasse em cada dor… quis ser um poeta que fosse fogo e água e sol e terra… e que com todos esses elementos criasse um novo ser… mas há poetas que são simplesmente poetas… há poetas que ainda nem sabem que o são… há poetas… imensos… tentei um dia ser um desses poetas… e sei hoje que um poeta nunca morre… faz-se em vida mesmo na morte, soltam as asas e levam-vos o vento… protegem-vos e fazem-se ao caminho convosco… peregrinam em vós… que com ele caminhais… bebeis o sorriso dos poetas… vedes pelos seus olhos, e por detrás desses olhos, uma alma que brilha e ilumina cada recanto escuro da vossa própria alma… e é em dias de negro e frio que mais precisais dos poetas… porque eles são fonte, força e semente… um poeta nunca mente… ele, o poeta, é a vossa armadura, a vossa madrugada e o fim de tarde… a vossa lua nova ou lua cheia… são perenes todos os poetas… nascem e renascem… mesmo sem nunca morrerem… nada destrói um poeta, nem a voz nem o sentir… quis ser um desses poetas que tivesse asas e poesia em cada voo… podemos ser usados, abusados, até como lixo abandonados, enegrecidos e deturpados… simplesmente somos quem somos … podemos ser retalhados, citados e aviltados… podemos ser usados como arma de arremesso… podemos ser teorizados e complicados… podemos ser mistificados e cristalizados… podemos até servir de pasto em chamas inquisitoriais… não somos orações, nem homilias nem credos… e não nos deixamos cair… não somos ameaça do fim do mundo… não somos propriedade de ninguém… não somos espada nem guilhotina… não cabemos na pena nem no ódio de quem de nós se apropria… somos apenas poetas… somos simplesmente imensos… não cabemos em nenhuma semana nem em qualquer dia… somos de todos os tempos… não nos deixamos aprisionar por nenhuma alma negra… somos apenas asas… não somos anjos… somos apenas amor e amamos… e se agora sei, como tão bem sei, que as palavras vos podem fazem voar, que às vezes vos levam para lá do mar, em asas de vento, de dor e de amor… sei também, como sabem todos, que não há palavras nem versos, nem poesias que cheguem para transformar um poeta num anjo…”

25/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Descanso

18/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Basta

…eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que já anda dentro de mim há milhares de anos e nunca tive essa oportunidade…

…há dias, quando surgiste na minha vida, um pouco alheada do próprio mundo, quando ali surgiste espelhada na minha alma, eu estive quase quase para te dizer…

…penso que me faltou a coragem e a voz se me embargou; calei dentro de mim o que deveria ter gritado; talvez tenha esquecido a forma de gritar, talvez só saiba calar… não sei… já não sei…

…mas eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que me possui e me rasga a mente, num acto demente do meu próprio ser de aqui estar sem saber falar, sem saber o que te dizer, sem saber gritar o que tanto tenho calado… milhares de anos de silêncio dentro de mim…

…milhares de anos de solidão da minha própria voz; milhares de anos de espera que surjas ali à esquina, em qualquer lugar, e num momento de paz eu te possa gritar todo o meu amor…

…áhh dor que dói e me corrói a alma de tanto calar esta tão louca forma de te amar… dor de aqui estar e não saber o que te dizer, de não saber traduzir esta minha forma de tão somente te sorrir…

…e sorrio-te a todo o instante, aqui, ali, em qualquer lugar ainda que distante… não me preocupa se me ouves, se escondes as palavras que tão docemente me são devolvidas porque não enviadas; doces palavras de paz, ternura, carinho, amor… em doses de candura mas eivadas de toda a minha dor…

…estão aqui mas sei que tinha qualquer coisa para te dizer; como posso gritar se a voz se me tolda em silêncios ocos e sem eco ou se com eco ecoam apenas dentro do meu vazio, um vazio que não preencho ou se preencho apenas o preencho com a minha própria alma já de si tão gasta por durante todos estes milhares anos não me teres dito: Basta!…

15/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

O calcanhar do Rio Douro

12/01/2012 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Sinto

Sinto que não sinto o que queria sentir; não sei se o que sinto é ou não o sentir do que sinto que não sinto sentir-se dentro de mim; desespero na angústia angustiada de me ver assim, nú, despido do nada, vestido numa pele cansada que cobre um corpo cálido mas tremente não de frio mas de quente; de um calor sem dor mas abrasador. E é este frio que me aquece num conforto dolente que me adormece neste deambular lento que até parece que fenece como flor varrida ao vento que não se esquece. Sinto que minto a mim mesmo na procura de não sentir o que sinto e não queria sentir. Vomito então o que quero esquecer mas sufoco no próprio vómito. Desejo indómito que não pára nunca de me dominar. Onde estás força de vontade de gritar? Onde estás prece urgente de abalar? Onde estás desejo prenhe de tortura? Já não sinto. Tenho de ir. Preciso dormir.

10/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

De braços abertos

07/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Toque

“… deito a cabeça no teu regaço… olho-te a face serena… e teus lábios sorriem… tuas mãos se envolvem nos meus cabelos e a massagem leva-me ao sonho… fecho os olhos e deixo-me vogar no teu corpo… dentro de ti… à tua volta… mesmo sem te tocar te sinto… tuas mãos tocam o meu ser como se nos meus lábios estivesse todo eu, como se a minha boca fosse todo o meu corpo… teus dedos leves e suaves me transportam, nesse toque, para lá de mim mesmo e me deixo ficar por momentos apenas nesse espaço, nesse limbo, nesse suave sentir de seda e com sede de um beijo… é esse beijo que acontece a seguir… é esse toque que me faz emergir de mim para imergir-me em ti… apenas um leve sabor a pétala duma qualquer flor… apenas um leve sabor e tudo o que nos rodeia a seguir é tão-somente o amor…”

05/01/2012 Posted by | Diversos | , | 2 Comentários

Mandalas

04/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Pura

02/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Feliz Ano Novo

01/01/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Status

“…com um pouco de loucura, viajo dentro de mim, olhando o meio em que me enleio, adicionando à vida um pouco de ternura, e parto à procura do dia em que me encontre pleno de mim mesmo, sem culpas nem perdões, apenas com laços de paz e bons e apertados abraços de solidões presentes nestes eternos momentos de carinhos ausentes…”

30/12/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Photoscape

28/12/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Depois do Natal, um saltinho de pardal

25/12/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

FELIZ NATAL

20/12/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Suavidade

18/12/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Quando sabemos que se ama?

“… há dias escrevi-te dizendo as razões pelas quais te amo… escrevi dizendo, afinal, que te amo porque te amo… mais tarde comecei a pensar se existe um momento a partir do qual se começa a amar e se esse momento existe, como sabemos então que se ama?… disse-te também há tempos que o amor não tem tempo nem espaço pela simples razão de que o Amor apenas, é… vive, subsiste, existe, está… é algo definido, concreto mesmo não sendo físico nem metafísico, o Amor é algo que é… sendo assim, não tendo o Amor tempo nem espaço e sabendo nós que amamos, como se sabe que se ama?… dediquei todo o tempo da minha vida à procura do Amor, na busca constante do meu “Graal”, na demanda do porquê do se ser e do se estar e das razões pelas quais aqui estamos… durante todos esses anos procurei e um dia (não interessa quando porque o Amor não tem tempo nem espaço) descobri que o Amor está (é) em cada um de nós… não é nada que se descubra ou possua ou se encontre… ele, o Amor, está em nós mesmos… se ele está em nós então ele é nosso, de nossa pertença e faremos dele o que bem se quiser… daí que, quando afirmo as razões pelas quais eu te amo, estou ao mesmo tempo a dizer que te amo apenas porque sei que o Amor que está dentro de mim, passa para ti… deixa de ser “meu” e começa a “existir” em ti porque apenas e só, te doo esse Amor, numa entrega sem pedir troca… dando-o, sei que o dou e nesse momento passo a saber que te amo… assim, só existe uma única forma de sabermos se amamos (ou quando é que sabemos que estamos a amar), é sabendo que o Amor que estava em nós foi dado a outrem, entregue simplesmente, como dádiva… e esse Amor pode estar num simples gesto, num olhar, num acenar, num toque, num sentir, não se ser o que éramos e passarmos a ser de outrem… nesse momento, quando nos sentirmos parte do outro, saberemos que estamos a amar… em contrapartida, quando soubermos que fazemos parte de outrem também saberemos que estamos a ser amados… porque apenas e só, o Amor… é…”

15/12/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Transformar

…peguei em mim mesmo e sacudi-me; esperei que saisse algo que tivesse a mais; mas não caiu nada de mim; continuei a sacudir e ouvi algo indefinido; era como que uma recordação dentro da minha alma ou do meu coração; como saber?… Peguei então em ti e despi-me de ti; tirei-te de dentro de mim. Coloquei-te ali ao meu lado e olhei para ti. Foi nessa altura que me senti nú. Mas não consegui vestir-te de novo. Já não cabias dentro de mim. Que fazer então?

…sonhos destruidos, caminhos não percorridos ou teriam sido mesmo percorridos? Como é que não reconheço se os percorri ou não? Confusão dentro de mim.
…sacudo as memórias mas a força centrífuga da saudade as mantêm aqui dentro. Fico atento.
…espero olhar em frente, não me sentir demente, talvez solidão somente; eternamente aqui ao meu lado presente.
…arrumo os fatos que me vestem a alma e com calma procuro novas roupas que me tapem a nudez que me enregela o corpo, como nado morto, triste e absorto…
…quero ressuscitar, quero simplesmente me transformar, vestir-me de novo, olhar para o espelho e sorrir, cantar, bailar; pegar em mim e voltar a caminhar qualquer que seja o caminho que tenha ainda de palmilhar…
…é que os pés, mesmo de barro, ainda são os mesmos; cansados de andar, é certo, mas os que sempre me sustentaram de pé nesta tremenda e actual falta de fé...

12/12/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Lacrimosa

10/12/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Perdurar

“… e o amor não se esgota nos momentos em que os amantes se encontram… o amor perdura para além deles, dos momentos e dos próprios amantes… o amor fica em cada um como uma marca no tempo que vai para lá do tempo em que foi… o amor vai com cada um e reaje ao menor sinal de memória… reactiva-se a si próprio quando já lá não está, naquele momento em que se ama… eleva-se para além da sua meta e tenta chegar ao momento seguinte, momento esse que não se sabe se vai existir mas que se deseja e do qual se sabe apenas que será um novo momento… o amor não se esgota no momento em que os corpos se esgotam e descansam… o amor vai além desse esvair porque se não for nunca será amor… o amor não se esgota no peito de cada um porque continua na memória de ambos… o amor é isso, é saber que não foi só e apenas aquele momento… o amor prolonga-se a si próprio para além de si mesmo e daqueles que o vivem… o amor está para lá do próprio amor…”

09/12/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Aniversário

08/12/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Leve

06/12/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Agir

“…quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre… algo que nos mude a vida para melhor, algo que nos faça deixar de sofrer, algo que nos tire a lágrima que teima em correr, algo que nos permita sorrir para sempre e não mais ser dor… quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre… algo que nos modifique a forma de ser, de podermos ser melhores ou até mesmo de podermos ajudar os outros… algo que tire o sofrimento no mundo, algo que permita a paz entre as pessoas… quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre… um milagre para nós!… Estamos sempre a pedir um milagre na nossa vida; estamos sempre a pedir um milagre que nos tire a dúvida, a dor, a fome, o desânimo, a doença e tantas outras coisas que nos atormentam… tantas e tantas vezes e o milagre não vem e amaldiçoamos a prece por ela não ser ouvida… talvez fosse melhor não pedir um milagre… talvez fosse melhor sermos nós próprios o próprio milagre: mudarmos a nossa maneira de sentir o que somos e passar a sentirmos o que queremos ser; talvez nos baste sentir o que queremos e alegrarmo-nos com o que temos, com o que nos é dado usufruir… talvez nos baste sentir o que queremos ser e sermos o próprio milagre… quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre e esquecemo-nos de o “fazer”, de o “elaborar”, de o “conquistar”… de sermos nós a agir…”

04/12/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

(e)terno

01/12/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Sedução

“…talvez seja essa tua força, invisível aos olhos humanos, que me seduz… talvez sejam apenas os teus olhos ou até mesmo, como já o tenho dito muitas vezes, a tua boca… talvez seja essa tua fragilidade ou essa tua doçura… talvez a tua ingenuidade ou até mesmo a tua garra… talvez a tua voz ou mesmo até o teu silêncio… talvez o teu tudo ou o teu nada… talvez seja essa tua pose de fazer face à luta ou a tua lágrima sentida… talvez a tua revolta ou até mesmo a tua cedência… talvez apenas o teu toque, o teu cheiro ou o teu beijo… talvez apenas o seres apenas tu e eu ser apenas eu… mas que me seduzes de verdade, não o posso negar…”

30/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Gold

29/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Aceitar

“… um dia (não sei quando) disseram-me que entre o possível e o impossível se encontra a vontade do Homem… ao longo da vida, todos os momentos que eu vivi, foram momentos impossíveis de viver (porque a própria vida é um milagre e eu não acredito em milagres mas em causas que provocam consequências) mas como foram vividos, logo a impossibilidade tornou-se possível… ao longo da vida verifiquei que tudo o que me era dado vivenciar não havia sido “criado” por mim mas apenas estava ali e eu o vivia, eu o sentia, eu fazia parte desse momento… ao longo da vida eu fui verificando que tudo é complicado e ao fim e ao cabo tão simples pela simples razão que somente a simplicidade é autêntica, ou seja, olhar à nossa volta e sentir que tudo o que nos cerca é natural, normal, vida em si mesma, sem ornamentos nem floreados… não somos nós que estamos a enfeitar a vida porque as flores já existem… não somos nós que estamos a perfumar os ambientes porque os odores já circulam à nossa volta… não somos nós que descodificamos os códigos, os códigos já não são enigmas, os enigmas já não são complicados porque tudo é tão simples de entender, tudo é tão simples de vivenciar… nada é impossível, portanto, tudo é viável, basta aceitar…”

27/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Profusão

25/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

União

24/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Trazias

“…trazias o perfume de uma flor e o sabor de uma iguaria… trazias tudo o que eu desejava, o que eu queria… trazias contigo a doçura do teu olhar e a leveza do teu toque para o meu corpo amaciar… trazias o sol e o brilho das estrelas… trazias o sorriso estampado na pele e o cheiro da maresia quando se espalha na areia… trazias tudo o que um homem anseia… trazias o amor dentro de ti, o amor que se dá e não se regateia, o amor que sempre perdura mesmo quando partes… trazias a esperança no rosto e os lábios entreabertos prontos para o beijo, para o doce toque em que todos os sabores se transformam em mel… de braços abertos meu ser te aguardava, ansioso… certo da tua vinda, da tua chegada… e o abraço se deu num enlaçar de paz e de ternura… e todo o ser se deu e se recebeu e as mãos se entrelaçaram… e num serpentear de passos arrastados porque leves, os caminhos nos levaram… e o sabor a tudo num leito se aconchegou… e o amor que veio e o amor que esperou, por ali, naqueles instantes infinitos, se quedou e a si mesmos se entregaram na paz que só os que amam sabem sentir…”

21/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

O Lobices faz hoje 8 anos

O LOBICES FAZ HOJE 8 ANOS

 

19/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Beauty 2

16/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Ventre

…no meu ventre não escondo nada
…nem a noite nem a madrugada
…no meu ventre guardo a mágoa
…deste meu peito raso de água
…no meu ventre explode o amor
…que solto ao vento se esvai
…e em pélagos de sangue
…no teu rosto ele cai
…no meu ventre explode o amor
…sentido, dorido, sofrido
…amor passado, presente e futuro
…no meu ventre escondo tudo
…com o meu ventre expludo
…em míriades de estrelas
…que vagueando pelos céus
…enchem os lindos olhos teus
…no meu ventre escondo as palavras
…do meu ventre dou à luz as palavras
…do meu ventre
…de bem dentro de mim
…me dou completo

15/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Para o meu Zé, de Adélia Prado

Eu te amo, homem, hoje como

Toda a vida quis e não sabia,

Eu que já amava de extremoso amor

O peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos

De bordado, onde tem

O desenho cómico de um peixe – os

Lábios carnudos como os de uma negra.

Divago quando o que quero é só dizer

Te amo. Teço as curvas, as mistas

E as quebradas, industriosa como uma abelha,

Alegrinha como florinha amarela, desejando

As finuras, violoncelo, violino, menestrel

E fazendo o que sei, o ouvido no teu peito

Para escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo

O teu coração, o que é, a carne de que é feito,

Amo sua matéria, fauna e flora,

Seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas

Perdidas nas casas que habitamos, os fios

De tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo

Pra ter saudade, me calo, falo em latim porá requintar meu gosto:

Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas

o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não

ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.

Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama

Fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.

Te alinho junto das coisas que falam

Uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como

O desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,

Tira de mim o ar desnudo, me faz bonita

De olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,

Me dá um filho, comida, enche minhas mãos.

Eu te amo, homem, exatamente como amo o que

Acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando

Os panos, se alargando aquecido, dando

A volta do mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.

Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,

O que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,

Te amo do modo mais natural, vero-romântico,

Homem meu, particular homem universal.

Tudo o que não é mulher está em ti, maravilha.

Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,

A luz na cabeceira, o abajur de prata;

Como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:

Com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,

Me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles

Eu beijo.

 

 

ADÉLIA PRADO. Poema “Para o Zé” in Poesia Reunida, São Paulo: Siciliano, 1991

14/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Beauty

10/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Perdurar

“… e o amor não se esgota nos momentos em que os amantes se encontram… o amor perdura para além deles, dos momentos e dos próprios amantes… o amor fica em cada um como uma marca no tempo que vai para lá do tempo em que foi… o amor vai com cada um e reaje ao menor sinal de memória… reactiva-se a si próprio quando já lá não está, naquele momento em que se ama… eleva-se para além da sua meta e tenta chegar ao momento seguinte, momento esse que não se sabe se vai existir mas que se deseja e do qual se sabe apenas que será um novo momento… o amor não se esgota no momento em que os corpos se esgotam e descansam… o amor vai além desse esvair porque se não for nunca será amor… o amor não se esgota no peito de cada um porque continua na memória de ambos… o amor é isso, é saber que não foi só e apenas aquele momento… o amor prolonga-se a si próprio para além de si mesmo e daqueles que o vivem… o amor está para lá do próprio amor…”

08/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Toca do trovão

06/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Acenar

“… o tempo passa demasiadamente depressa… quando damos pelo facto, seja ele qual for, o tempo esvaiu-se e quase não o vimos passar… quando não o vemos passar porque ele foi usado em positiva vivência, é óptimo recordar esses momentos que não vimos passar porque o tempo estava a ser ganho por algo bom que recordaremos com prazer… porém o tempo voa e quando damos por ele, ele já passou e já são horas de dizer um novo adeus, um até breve, um até depois… fica o sabor de tudo o que se viveu… fica a saudade desses momentos… fica a ânsia de que eles voltem depressa mais uma vez… e quando o tempo de viver esses doces momentos acaba, fica em nós a presença do outro, o cheiro, o sabor, o tacto, o som e a imagem que fixamos com ternura para, no mínimo, a levarmos dentro de nós… até ao próximo encontro… no entretanto, fica o aceno, o olhar para trás, o dizer aquele adeus com a mão estendida e o rosto, apesar de tudo, sereno e com um sorriso nos lábios… o acenar até que a esquina surge e o passo continua calmo no percorrer daquela rua…”

03/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Sol

31/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

A trindade do amor

Distinguem-se 3 tipos de amor, susceptíveis de encaixarem uns nos outros:

1. EROS (erotismo). É o amor carnal, sexual. O desejo físico do outro exprime-se pela paixão amorosa, vivida, muitas vezes, na falta e no sofrimento.

2. PHILIA (amizade). O amor carnal evolui para o amor-ternura. Não é mais somente um instinto carnal, ou uma concupiscência. Ele dá-se. É alegre, expansivo. É o amor conjugal realizado e aquele que é dado aos seus filhos e reciprocamente. É também amizade. No entanto, permanece mais ou menos interessado.

3. AGAPE (caridade). É o amor dado sem procura de contrapartida. É o bem por excelência. Os crentes encontram a sua fonte em Deus, que é amor.

Há pois oposição entre o amor-EROS de concupiscência e de cobiça, e o amor-PHILIA, ou Agape, que são amores de benevolência e de amizade. Quer-se bem a alguém, em vez de o possuir. Os dois sentimentos, na maior parte das vezes, justapõem-se.

O amor-EROS não é uma virtude. «É uma questão de sentimento e não de vontade, diz Kant, e eu não posso amar porque eu o quero, menos ainda porque eu o devo; daí se conclui que um dever de amar é um contra-senso.»

Efectivamente, «o amor não se comanda porque é ele quem comanda, diz A. Comte-Sponville.»Mas à medida que se avança na sabedoria e na virtude, desligamo-nos dos desejos egoístas e elevamo-nos nos graus do amor.

Primeiro, só se ama a si mesmo, depois o outro e depois os outros.

Assim, «a benevolência nasce da concupiscência pois o amor nasce do desejo, do qual não é mais que a sublimação alegre e satisfeita. Este amor é uma virtude: querer o bem do outro é o próprio bem» (Ibidem, p. 349.)É o ideal. «O ideal da santidade», sublinha Kant. Ele guia-nos e ilumina-nos. É uma virtude pois é uma excelência.

E, milagre, «o amor que realiza a moral liberta-nos dela». «Ama e faz o que quiseres», dizia Santo Agostinho.O amor é pois, o começo de tudo.

(in Jean Guitton et Jean-Jacques Antier – Le Livre da la Sagesse et dês Vertus Retrouvées)

28/10/2011 Posted by | Diversos | 2 Comentários

Bouquet

26/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

O dedo de Deus

23/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Snow white

20/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

In red

18/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Dourados

15/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

O uivo

…Levantou-se com um sobressalto, que a fez erguer a coluna num impulso sôfrego, um nó de desespero atado na garganta. Segurou-a com uma das mãos, como se contivesse a respiração ainda ofegante. A escuridão estava toda emersa numa tonalidade azul, criando uma atmosfera quase irreal no interior do quarto. Uma estranha luminosidade vinha do exterior, e penetrava no quarto pelo espaço entre as velhas cortinas desbotadas. Dirigiu-se à janela como se algo a chamasse. Espreitou por trás do veludo envelhecido do reposteiro e viu um vidro quebrado, estilhaçado no canto inferior esquerdo. Formava um desenho perfeito de uma teia. Tocou-lhe e automaticamente levou o dedo à boca, sugando o sangue do corte que acabara de sofrer. Soltou um breve gemido de dor, frustrado de fúria. Lá fora, a lua erguia-se gigantesca, majestosa, rodeada de uma aura azul intensa, que cobria todas as coisas de improváveis reflexos. Sentiu um incómodo arrepio, como uma fria corrente enferrujada a mover-se no interior da espinha. O espaço à sua volta, de súbito, ganhava novos contornos. Estremeceu perante um breve desacerto do mundo. Julgou ouvir ruídos, um estalar de madeira, ecos de passos atrás de si, o som das sombras a mover-se pelas paredes do quarto. Voltou-se e tremeu. Deu dois passos incertos, esquecida do próprio corpo. O chão estava alagado; os pés descalços enregelados. Ouvia uma torneira aberta, que pingava lentamente. O som adensava-se segundo a segundo, ecoava pela casa toda, cada vez mais próximo, cada vez mais grave, cada vez mais alto, com requintes de tortura. Segurou a cabeça entre as mãos, crispando os dedos entre os cabelos, tapando os ouvidos quase até ao limiar da dor. Enlouquecia. Abriu as portadas e saiu. Correu para a floresta que se estendia, negra e silenciosa, a sul da casa. Não se vestiu. A camisa branca de algodão finíssimo esvoaçava enquanto corria. Um som distante, longínquo, como um uivo, envolvia agora todo o espaço entre as árvores. Tudo à sua volta permanecia assombrosamente azul. Olhava para o céu e os seus olhos cintilavam, fazendo perguntas às estrelas ausentes. Correu a um ritmo alucinante, rasgando a noite escura com a sua deslumbrante figura pálida. Se pudéssemos congelar o momento, encontrar-se-ia a mais bela fotografia do mundo. Era atrás do lobo que corria. Um lobo que conhecia sem nunca ter visto, que a chamava sem nunca ter tocado um fio dos seus cabelos. Sonhara com ele durante seis noites seguidas, um segundo mais cada noite, até que o sonho a puxou para dentro e ela foi ao seu encontro. Correu atrás dele, movida pelo sonho, dominada pela loucura. Corria como se perseguisse a própria vida, e gritava. Gritava o nome do seu amor, como se lhe respondesse. Correu até ficar sem forças, lentamente vergou os joelhos e deixou-se cair no chão húmido. Tinha chovido nas horas anteriores, muito certamente. Cravou as mãos na terra até que esta lhe doesse, negra e perfumada, entre as unhas. Sentiu um frio muito fino percorrer-lhe a parte de trás do pescoço, desde a nuca, descendo até à cintura. Depois um calor imenso a escorrer-lhe pelos braços. Tinha o lobo junto do seu corpo, o seu olhar ferido de medo. Aproximou-se do seu rosto, conseguia sentir-lhe a respiração na face gelada. Mergulhou os dedos finos no pêlo em redor do pescoço, num gesto ambíguo. Como se segurasse, como se repudiasse. Sentia-o roubar-lhe o sopro de vida, ao mesmo tempo que a alimentava de uma inexcedível sensação de eternidade. A escuridão era tão intensa que a noite parecia estender-se sobre todas as coisas, sem limites, insondáveis as suas profundezas. Reinava uma calma inquietante. O seu coração pulsava acelerado dentro do peito, o olhar num fervilhar insustentável de paixão. Olhou à volta, demorando um segundo a reconhecer o espaço do quarto. Um segundo depois, o outro lado do pesadelo: Está um homem ao seu lado. Está frio. O branco dos lençóis tingido de vermelho. Do corpo imóvel e pálido escapa-se um fio rubro e espesso. O olhar preso no infinito. Um último gesto de angústia suspenso na mão. A boca entreaberta, fixo nos lábios um suspiro, com o nome do seu amor.

13/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Planeta Marte numa rosa

08/10/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Diferente

05/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Serralves a P/B

04/10/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

A nossa longa caminhada

“…há uma coisa que é necessário definir: todos nós, quando escrevemos (ou falamos), dizemos coisas reais e dizemos coisas irreais… fazemos um misto de retórica vã e não só… colocamos muito de nós e também muito daquilo que vai no nosso imaginário… não só falamos do que sabemos como também falamos do que não sabemos mas, principalmente, falamos com a Alma, com aquilo a que eu chamo de “desejo”… fala-se do que “desejaríamos” que assim fosse… quando não “foi assim” então fala-se do desejo de não ter sido como desejáramos que tivesse sido… somos todos duma ambiguidade angustiante (quer se queira admitir isto ou não)… mentimos a nós mesmos para nos desculparmos de tudo só que nos esquecemos que não somos culpados de nada… a ilusão não está em nós mas em tudo o que nos é dado como perceptível, ou seja, o que nos rodeia é que pode ser ilusão… nós não somos uma ilusão… a ilusão gira à nossa volta e tenta-nos de forma a que se perca a noção do que é a verdade e do que é a mentira… ficamos, então, apenas com o que temos… e o que é que temos?… a esperança de estarmos enganados ou de nos termos enganado e de que há ou vai haver solução… desesperadamente procuramos resolver esse problema… doutras vezes, desistimos e deixamos que tudo “morra” no limbo do esquecimento… no entanto, esse limbo é também ele mesmo uma ilusão pois o esquecimento não é viável… não podemos “cortar” ou “apagar” a memória… e esta é a que nos devora… engole-nos por vezes duma forma assustadora e noutras vezes duma forma mais suave mas não deixa nunca de nos engolir… somos como que absorvidos por esse buraco negro que é a lembrança… lembramos tudo, principalmente o bom porque subconscientemente escondemos num recanto da nossa memória tudo o que foi mau… até porque nunca tivemos a culpa do mal ou do mau acontecido… somos uns eternos inocentes… fazemos assim, ao longo da vida, exorcismos aos nossos demónios em vez de lançarmos louvores aos nossos anjos… passamos uma vida inteira a lamentar o inlamentável em vez de nos alegrarmos com tudo o que não deve ser esquecido… e tudo, tanto o bom como o mau, deve ser contabilizado na nossa passagem por esta dimensão do aqui e agora… e só há uma forma de se “conviver” nesse estádio de vida: é aceitar o que nos é dado viver… é aceitar o que nos é dado pois nada daquilo que “temos” é nosso… foi-nos concedido passar por isso, foi-nos concedido vivermos nisso, foi-nos concedido vivenciar determinados factos, factos estes que serão única e exclusivamente nossos e de mais ninguém… mais ninguém no universo sente o que eu sinto, mais ninguém no universo sente o que tu sentes… somos seres únicos, individuais e totalmente imperfeitos… vamos a caminho da perfeição mas que tarda em chegar… vamos ter muito que caminhar ainda até conseguirmos a espiritualidade do ser… porém e como ainda somos imperfeitos é-nos “concedida” a capacidade de “chorar”… é por isso que nada nos satisfaz… é por isso que buscamos a felicidade (quando ela está aqui, dentro de nós)… é por isso que sofremos… é por sermos ainda imperfeitos que não sabemos (ainda não aprendemos) aceitar… no que me diz respeito, tento duma forma lenta mas sistemática, tentar aceitar mas, na verdade vos digo, que não é fácil e, por vezes pois, preciso de “gritar” e de usar a tal forma de equilíbrio que me permita lentamente sentir o caminho que piso numa caminhada que sei tenho de fazer, sem olhar para o caminho mas apenas com a vontade enorme e grandiosa de caminhar… caminhemos, pois, de mãos dadas com o Amor, o único que nos fará sorrir e ter mais forças para percorrermos esse caminho, o caminho da Sabedoria, da Luz, da Paz e da Harmonia…”

01/10/2011 Posted by | Diversos | 2 Comentários

Matizada

30/09/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

.

…AS FÉRIAS ESTÃO A CHEGAR AO FIM
…DEU PARA RETEMPERAR OS NEURÓNIOS

29/09/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Férias

22/09/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Meu Douro

16/09/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Toque

“… deito a cabeça no teu regaço… olho-te a face serena… e teus lábios sorriem… tuas mãos se envolvem nos meus cabelos e a massagem leva-me ao sonho… fecho os olhos e deixo-me vogar no teu corpo… dentro de ti… à tua volta… mesmo sem te tocar te sinto… tuas mãos tocam o meu ser como se nos meus lábios estivesse todo eu, como se a minha boca fosse todo o meu corpo… teus dedos leves e suaves me transportam, nesse toque, para lá de mim mesmo e me deixo ficar por momentos apenas nesse espaço, nesse limbo, nesse suave sentir de seda e com sede de um beijo… é esse beijo que acontece a seguir… é esse toque que me faz emergir de mim para imergir-me em ti… apenas um leve sabor a pétala duma qualquer flor… apenas um leve sabor e tudo o que nos rodeia a seguir é tão somente o amor…”

13/09/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

9/11 Never more

11/09/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Descanso

03/09/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Serralves

29/08/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Composição

24/08/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Hora do café

18/08/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Certeza

“…tivesse eu a certeza de tudo e não estaria aqui; tivesse eu essa certeza que a incerteza não nos permite possuir e eu não estaria aqui… possuiria o dom da sabedoria do quando, do como, do onde e também do porquê e ainda do para quê… tivesse eu essa certeza que a incerteza não nos permite obter e eu estaria em ti e não em mim… possuiria o dom do ser e do estar onde me fosse dado querer e estaria no teu olhar; perder-me-ia no teu corpo e deixaria de me querer voltar a encontrar… labirinto fosses e eu palmilharia a eternidade sem me preocupar com a saída; fosse eu apenas uma centelha da tua respiração e tudo no mundo caberia na minha mão; fosse eu apenas o pulsar do teu pensamento e voltaria a ser apenas o vento… o vento sem lamento, o vento que me traria o sabor do aroma do teu corpo a ondular em mim, mesmo que fosse como um tormento, um doce tormento… tivesse eu a certeza de tudo e não estaria aqui… seria como a luz que como a uma borboleta tanto seduz… seria o tudo e o nada na totalidade absoluta do ser, seria isso tudo mesmo que não te pudesse ter…”

15/08/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Lacrimosa

13/08/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Blast

09/08/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Seduzir

“…talvez seja essa tua força, invisível aos olhos humanos, que me seduz… talvez sejam apenas os teus olhos ou até mesmo, como já o tenho dito muitas vezes, a tua boca… talvez seja essa tua fragilidade ou essa tua doçura… talvez a tua ingenuidade ou até mesmo a tua garra… talvez a tua voz ou mesmo até o teu silêncio… talvez o teu tudo ou o teu nada… talvez seja essa tua pose de fazer face à luta ou a tua lágrima sentida… talvez a tua revolta ou até mesmo a tua cedência… talvez apenas o teu toque, o teu cheiro ou o teu beijo… talvez apenas o seres apenas tu e eu ser apenas eu… mas que me seduzes de verdade, não o posso negar…”

30/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

O voo picado do Falcão

28/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Movimento

… terminaram as palavras… as letras deixaram de existir… as frases já não podem ser formuladas e a comunicação escrita ou falada findou… o Homem deixou de poder dizer um simples vocábulo e nem um só ditongo se consegue escrever ou articular… mas a sua necessidade de gritar leva-o a inventar novas formas de comunicar… passa a usar o seu corpo para insinuar as sílabas e começar a juntar os elementos que formam a ideia, a imagem ou apenas o sentido… o seu corpo passa a ser a caneta ou a corda vocal… e as mãos tocam ali, acolá ou aqui… movem-se no espaço e sentem que do outro lado existem outras mãos que fazem o mesmo… e todos começam a gesticular… e do gesto, passam ao encontro, ao toque mútuo, ao abraço, ao enlace, à carícia, ao beijo, à ternura, a todo o género de acto que defina um desejo de comunicar, de dizer: estou aqui, estás aí, podemos falar?… então trocam-se os toques e todos se movem no mesmo sentido… no Mundo existe o silêncio mas passou a existir o abraço… algo que o Homem já havia esquecido há muito… e apesar de o riso não ser articulado, existe o sorriso… e apesar do grito se ter silenciado a lágrima pode escorrer pela face e dessa forma se diz o que se passa, o que se sente, o que se deseja, o que se vê e o que se quer que seja entendido… o Homem calou a voz mas não consegue deixar de comunicar… e o seu corpo passa a ser o elemento base dessa acção… e, dessa forma, mesmo não podendo dizer que se ama, pode-se dizer o mesmo num sorriso, num beijo, num toque, num abraço, num desejo… e o Amor, por mais que o Homem possa perder as suas faculdades, jamais morrerá… e Amar, continuará a ser o único caminho!…”

25/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Sombra

24/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Pólen

21/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Silêncio

“…Há um silêncio absoluto aqui até mesmo dentro de mim… Estou só, acompanhado apenas da minha solidão… por isso, não estou sozinho… estou acompanhado, logo não estou só… Estranho… O silêncio penetra dentro de mim sem pedir licença… também não sou capaz de lhe impedir a entrada… ele é tão livre quanto eu e eu, possuidor dessa liberdade, deixo-o entrar e sinto que a excitação que ele me provoca é sinal de prazer… Um prazer proveniente da paz que ele, o silêncio, alberga… Com ele, vem apenas o som da deslocação do ar quando ele chega sem avisar… É que, de repente, só (estando só) o sinto quando ouço o silêncio da sua chegada… Senta-se aqui ao meu lado e vejo perfeitamente que ele me olha de soslaio… mas não lhe ligo importância… quem se julga ele?… Alguém de muito especial?… Devo-lhe alguma deferência?… Não… Não lhe franqueio sempre a entrada?… Então, que mais ele quer?… Que lhe dirija a palavra?… Não!… Mil vezes não!… Se o deixo penetrar-me é porque assim o desejo e o quero, em silêncio, em paz, ouvindo-o sem o ouvir… sabendo apenas que ele está aqui… A solidão, por seu lado, essa não se importa muito pela presença dele… já está habituada… Olha-o com desdém como se ele, o calado silêncio, fosse ninguém… Sabe muito bem que ele não me faz mossa… sabe perfeitamente que ela, a solidão, é que é a minha amante preferida, hoje cinzenta (pode ser) mas amanhã, quem sabe, se colorida… É apenas a paz que me traz sereno e me faz sentir o seu frio ameno… é que o silêncio tem temperatura, ora é doce e quente, ora azedo e frio… mas já reparei imensas vezes que quando é azedo se sente um frio ameno… não enregela nem me estremece o corpo… amorna-me a alma e deixo-me ficar na mordomia da sua presença… É tudo apenas um estado de solidão a sós com o silêncio que me faz companhia… Por isso, não esfria… Deixa-me estar como quero… E ele se queda também e fica… Não incomoda… Sabe que a qualquer momento que eu queira, o mando embora… sabe que um grito forte pode, num ápice, cortar o ar que ele deslocou ao chegar… Ele sabe isso e por isso não se preocupa comigo… Mantém apenas um vago olhar… Como quem não sabe se parta ou se deve ficar… Depende apenas e só do meu grito… se este, o grito, do meu peito sair com força, com ânimo, com desejo de ser quem sou e não quem quero parecer ser… O problema com que me debato é saber o que sou ou mesmo até quem sou… Serei eu próprio o silêncio?…”

19/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Por amor

«Um até já, meu amor, que por amor se corre e por amor se não percorre… um até já, meu amor, pelas correrias que correste e pelas paragens à minha espera… um até já, meu amor, pelo amor caminhado, pelo amor parado como os dias que correm á nossa frente e nos arrastam irremediavelmente para essa morte… a morte do amor que de amor morreu no dia em que em vez de um até já, me disseste adeus…»

18/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Conjunto

16/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Desconhecida

11/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Praia lavadinha

10/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Beleza

08/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Da cor do blogue

06/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Mais suave

02/07/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Jarro amarelo

29/06/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Suavidade

25/06/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Simetria

21/06/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Rosa bravia

17/06/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Rota de colisão

13/06/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Super Nova

10/06/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Cluster

 

03/06/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Alva

28/05/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Mistura

Mistura

26/05/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

>Dueto

>

11/05/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

>Hoje

>…e porque hoje gotas de chuva também me lavaram a alma
…e porque hoje também despi meu corpo e me olhei inteiro
…e porque hoje senti a sombra da minha ausência
…e porque hoje sorri à solidão e não fechei a janela
…e porque hoje abri a porta e entrei dentro de mim
…e porque hoje berrei o silêncio e o grito calei
…aqui vim e me quedei sorrindo do choro que ainda não chorei

09/05/2011 Posted by | Diversos | 3 Comentários

>A new rose

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07/05/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

>Poetas

>“…quis ser um poeta que tivesse asas… e poesia em cada voo… quis ser um poeta cujas palavras vos enchesse a casa… e que vos reencontrasse em cada dor… quis ser um poeta que fosse fogo e água e sol e terra… e que com todos esses elementos criasse um novo ser… mas há poetas que são simplesmente poetas… há poetas que ainda nem sabem que o são… há poetas… imensos… tentei um dia ser um desses poetas… e sei hoje que um poeta nunca morre… faz-se em vida mesmo na morte, soltam as asas e levam-vos o vento… protegem-vos e fazem-se ao caminho convosco… peregrinam em vós… que com ele caminhais… bebeis o sorriso dos poetas… vedes pelos seus olhos, e por detrás desses olhos, uma alma que brilha e ilumina cada recanto escuro da vossa própria alma… e é em dias de negro e frio que mais precisais dos poetas… porque eles são fonte, força e semente… um poeta nunca mente… ele, o poeta, é a vossa armadura, a vossa madrugada e o fim de tarde… a vossa lua nova ou lua cheia… são perenes todos os poetas… nascem e renascem… mesmo sem nunca morrerem… nada destrói um poeta, nem a voz nem o sentir… quis ser um desses poetas que tivesse asas e poesia em cada voo… podemos ser usados, abusados, até como lixo abandonados, enegrecidos e deturpados… simplesmente somos quem somos … podemos ser retalhados, citados e aviltados… podemos ser usados como arma de arremesso… podemos ser teorizados e complicados… podemos ser mistificados e cristalizados… podemos até servir de pasto em chamas inquisitoriais… não somos orações, nem homilias nem credos… e não nos deixamos cair… não somos ameaça do fim do mundo… não somos propriedade de ninguém… não somos espada nem guilhotina… não cabemos na pena nem no ódio de quem de nós se apropria… somos apenas poetas… somos simplesmente imensos… não cabemos em nenhuma semana nem em qualquer dia… somos de todos os tempos… não nos deixamos aprisionar por nenhuma alma negra… somos apenas asas… não somos anjos… somos apenas amor e amamos… e se agora sei, como tão bem sei, que as palavras vos podem fazem voar, que às vezes vos levam para lá do mar, em asas de vento, de dor e de amor… sei também, como sabem todos, que não há palavras nem versos, nem poesias que cheguem para transformar um poeta num anjo…”

05/05/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

>Mais uma das minhas rosas

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03/05/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

>Dia da Mãe

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“… durante 3 dias o teu corpo se contraiu com as dores de parto e a criança que trazias no ventre não queria sair… durante 3 dias o teu corpo se contorceu de dores e eu, impávido e sereno, dentro do teu ventre, alheado do mundo que te rodeava, aguardava talvez que o meu mundo não explodisse e a minha vida fosse ali, onde estava… ao terceiro dia de dor, no dia 8 de Dezembro, fui obrigado a sair de dentro de ti… tiraram-me à força e eu pude ver a luz do dia e tu pudeste descansar… nasci no dia da Imaculada Conceição, a concepção por natureza, o dia em que se celebrava o dia das mães… ainda hoje, para ti e para mim, 60 anos passados, esse é o teu dia, o dia em que, pela única vez foste mãe… o meu nascimento forçado provocou a tua impossibilidade de gerar mais filhos e jamais pude ter irmãos… trataste de mim, sempre… hoje, sou eu que trato de ti… porque mereces e porque ainda és a minha mãe…”

01/05/2011 Posted by | Diversos | 4 Comentários

>Beltane

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“…logo à noite, em meia lua, o fogo me rodeará e me irá levar para as legendárias paragens onde o amor que fecunda a terra, torna real a lenda que tanto encanta…”

30/04/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

>A partida do meu amigo

>“…o Black tinha 16 anos… era um espírito livre… nunca teve uma coleira nem uma trela… nunca esteve preso numa casota ou fechado dentro de casa… a rua era o seu reino… era metade meu e metade do Dr. João, o Veterinário… eu dava-lhe alimento e estadia e o médico tratava dele, das vacinas, etc… o Black era o “ser” mais conhecido desta minha terra, deste meu canto… toda a gente o conhecia e ele conhecia toda agente… nunca fez mal a ninguém e sorria… sabia sorrir aquele meu amigo… tinha o hábito de correr atrás dos carros e a mania de se deitar no meio da rua… fazia os carros pararem ou abrandarem para poderem passar… mas já toda a gente sabia que era assim… teve alguns atropelamentos… um dia ficou sem o olhito esquerdo (mas essa história fabulosa de inteligência animal eu já contei) e teve de ser operado… outra vez teve de ser operado ao intestino… desta vez, o último atropelamento não o poupou… um traumatismo dorsal na coluna terminou com a sua força de se manter “vivo” e apesar de todas as tentativas de o tratarem, o meu amigo teve de partir… sei que partiu no tempo Pascal mas não quero saber o dia… quero recordar apenas os passeios que ele dava a meu lado… se eu ía ao Banco ele ía comigo e entrava… se eu ía aos ctt ele ía comigo e entrava lá e em muitos outros locais… as pessoas sabiam quem ele era… todos os dias ele subia a rua e ía à Clínica Veterinária visitar os seus amigos… como eu costumava dizer, era o meu guarda-costas apesar de não ter porte nem ser de raça para tal… era apenas um animal feliz, amigo de todos… meu companheiro diário dos passeios que eu fazia para esticar as pernas… caminhava ao meu lado ou um pouco à frente pois já sabia o itinerário… partiu… voou finalmente no último voo da liberdade… aquilo que ele mais prezava na vida: ser livre!… E foi-o… adeus companheiro!…”

27/04/2011 Posted by | Diversos | 5 Comentários

>25 de Abril, sempre

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25/04/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

>Tempo de Paixão

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22/04/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

>Tu, meu Pai

>“…faz hoje 25 anos que partiste… Estás noutro local, um local para onde foste, um local de sossego, de paz, não é ?… Tenho saudades tuas, pai !… Lembras-te do dia em que nos disseste até breve ?… Lembras-te dos dias em que sempre estiveste a nosso lado, lembras-te de tudo de bom que se passou antes de ires, lembras-te de tudo de mau que se passou antes de ires ?… Recordas o dia em que eu nasci, recordas o dia em que passaste ao estatuto de pai ?… Sei perfeitamente que te recordas e que só por isso te valeu a pena viver; sei que viveste em função dos teus, daqueles que faziam parte da tua própria vida, daqueles que eram a razão da tua existência!… Sei muito bem o quanto sofreste por mim e por todos os teus; sei perfeitamente o quanto lutaste para que nada me faltasse, para que tudo estivesse sempre bem… Lembras-te do dia em que te faltou algo para que eu não sentisse essa falta ?… Lembras-te do dia em que não comeste para que eu tivesse comida ?… Lembras-te do dia em que poupaste nos cigarritos para que eu tivesse dinheiro para o meu tabaco ?… Lembras-te do dia em que tiveste de pedir a um amigo para teres dinheiro para mim ?… Lembras-te do dia, de todos os dias da tua vida em que passaste mal para que em todos os dias da minha vida eu passasse bem ?… Lembras-te ?… Sei que te lembras e sei que sabes que tenho saudades tuas… um beijo para ti, pai!…”

20/04/2011 Posted by | Diversos | 3 Comentários

>Fim de semana

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15/04/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

>Anatomia de um beijo

>“…coloco um beijo na palma da minha mão e olho-o para o estudar, para o entender, para saber algo mais sobre ele… a sensação é apenas de toque suave dos meus lábios na palma da minha mão… nada mais retenho que o saber que senti a minha pele tocada pela minha própria boca… preciso saber mais sobre o beijo… examinar minuciosamente de forma a sentir o beijo como algo físico, palpável, real… então, aproximo-me de ti e olho-te nos olhos, nesses olhos que brilham dentro de mim como se tu não estivesses ali mas aqui, como se tu fosses parte do meu ser… toco-te com as minhas mãos nos teus ombros e dou um passo em direcção a ti… tua face serena, abre-se num sorriso… levo a minha mão aos teus cabelos e acaricio-os deslizando na seda dos mesmos… os nossos corpos encostam-se ao de leve num toque global presente sem ausência de sentidos, bem pelo contrário, com os sentidos todos em alerta… olho a tua boca entreaberta nesse sorriso que me encanta e seduz… és luz… és sol… és brilho em meu redor… humedeço meus lábios e aproximo-me lentamente da tua face… toco com eles ao de leve na pele que reluz perante o meu olhar… sinto o sal… um sabor leve a mar… os meus lábios tocam as tuas pálpebras fechadas para receber o meu beijo… sinto um suave sentir, um sorrir no olhar como se de outra boca se tratasse… retiro a minha boca e olho-te de novo… preciso saber o porquê do beijo saber a tudo o que tu és, numa dimensão de ser paz, doçura, mel e mar… vejo-te humedeceres os teus lábios e muito suavemente toco-os com os meus… mantenho a minha boca ao de leve no teu lábio superior e de seguida saboreio o teu lábio inferior… e sinto amor…sinto que preciso de sentir mais, de saber mais e melhor o porquê da paixão… é nesse momento que toco em completo a tua boca e saboreio o mel que tal sensação me transmite… as línguas tocam-se ao de leve para em seguida se fundirem num só beijo, num só toque… já não são duas bocas que se beijam pois é apenas o beijo em si mesmo que ali se encontra, se forma, se transmuta, se torna ávido e sereno ao mesmo tempo… mantemos o sentir tais sentidos, leves, lábios mordidos, línguas entrelaçadas e o sabor doce penetrar em permuta o âmago daquela sensual luta de pele com pele, de alma com alma, de corpo com corpo… e a paixão nasce daí e cresce em mim como em ti… saboreamos o momento… entramos em transe e deixamos de ser quem somos… e o beijo perdura num planar de doçura… e o beijo se torna dono de nós num galopar de sensações plenas, profundas mas de tal forma suaves e serenas que o beijo deixa de ser beijo para passar a ser desejo…”

13/04/2011 Posted by | Diversos | 3 Comentários

>Amanhecer

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10/04/2011 Posted by | Diversos | 2 Comentários

>Exposição

>“…queria expor a totalidade do meu ser no teu corpo… deitar-me nele e descansar… esperar a manhã seguinte sem alterar a forma de sentir… vibrar apenas com o facto de me saber em ti pousado ao de leve, de mansinho, como se lá não estivesse… delirar com os teus movimentos e sentir o meu corpo mover-se ao som dos teus… olhar-te os seios e sorrir nos teus mamilos… ver teu ventre quieto, dolente, ali à minha frente… tua sedosa pele em cheiros de jasmim ou de rosa pétala… deixar-me levar pelo teu sonho e pelo teu respirar… ondular… marear… vogar… fluir, ser e estar… e quando do sono o teu ser acordar eu olhar teus olhos matinais e neles me afogar… suster a respiração e desfalecer nos teus braços…”

06/04/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

>A primeira rosa deste ano

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04/04/2011 Posted by | Diversos | 2 Comentários

>Gotículas

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31/03/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

>Vaso chinês

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28/03/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

>Dizer

>…eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que já anda dentro de mim há milhares de anos e nunca tive essa oportunidade…

…há dias, quando surgiste na minha vida, um pouco alheada do próprio mundo, quando ali surgiste espelhada na minha alma, eu estive quase quase para te dizer…

…penso que me faltou a coragem e a voz se me embargou; calei dentro de mim o que deveria ter gritado; talvez tenha esquecido a forma de gritar, talvez só saiba calar… não sei… já não sei…

…mas eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que me possui e me rasga a mente, num acto demente do meu próprio ser de aqui estar sem saber falar, sem saber o que te dizer, sem saber gritar o que tanto tenho calado… milhares de anos de silêncio dentro de mim…

…milhares de anos de solidão da minha própria voz; milhares de anos de espera que surjas ali à esquina, em qualquer lugar, e num momento de paz eu te possa gritar todo o meu amor…

…áhh dor que dói e me corrói a alma de tanto calar esta tão louca forma de te amar… dor de aqui estar e não saber o que te dizer, de não saber traduzir esta minha forma de tão somente te sorrir…

…e sorrio-te a todo o instante, aqui, ali, em qualquer lugar ainda que distante… não me preocupa se me ouves, se escondes as palavras que tão docemente me são devolvidas porque não enviadas; doces palavras de paz, ternura, carinho, amor… em doses de candura mas eivadas de toda a minha dor…

…estão aqui mas sei que tinha qualquer coisa para te dizer; como posso gritar se a voz se me tolda em silêncios ocos e sem eco ou se com eco ecoam apenas dentro do meu vazio, um vazio que não preencho ou se preencho apenas o preencho com a minha própria alma já de si tão gasta por durante todos estes milhares anos não me teres dito: Basta!…

25/03/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

>Primavera

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21/03/2011 Posted by | Diversos | 2 Comentários

>Dia do pai

>“…Estás noutro local, um local para onde foste, um local de sossego, de paz, não é ?… Tenho saudades tuas, pai !… Lembras-te do dia em que nos disseste até breve ?… Lembras-te dos dias em que sempre estiveste a nosso lado, lembras-te de tudo de bom que se passou antes de ires, lembras-te de tudo de mau que se passou antes de ires ?… Recordas o dia em que eu nasci, recordas o dia em que passaste ao estatuto de pai ?… Sei perfeitamente que te recordas e que só por isso te valeu a pena viver; sei que viveste em função dos teus, daqueles que faziam parte da tua própria vida, daqueles que eram a razão da tua existência!… Sei muito bem o quanto sofreste por mim e por todos os teus; sei perfeitamente o quanto lutaste para que nada me faltasse, para que tudo estivesse sempre bem… Lembras-te do dia em que te faltou algo para que eu não sentisse essa falta ?… Lembras-te do dia em que não comeste para que eu tivesse comida ?… Lembras-te do dia em que poupaste nos cigarritos para que eu tivesse dinheiro para o meu tabaco ?… Lembras-te do dia em que tiveste de pedir a um amigo para teres dinheiro para mim ?… Lembras-te do dia, de todos os dias da tua vida em que passaste mal para que em todos os dias da minha vida eu passasse bem ?… Lembras-te ?… Sei que te lembras e sei que sabes que tenho saudades tuas… um beijo para ti, pai!…”

19/03/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário