Lobices

…meiguices de lobos e não só…

silêncio

“…O silêncio está em vias de extinção… Parece ser um mundo perdido, exilado, depurado da sua sensualidade.. Por isso ainda vai havendo gente (afortunada?) que se refugia no resto que ainda resta do silêncio, reconstrói uma casa abandonada num sítio onde uma”civilização”, ainda incipiente… espreita. Um sítio ainda sem caos, sem o fulgor dos hipermercados, sem as notícias a correr. E transforma uma eira abandonada num jardim de rosmaninhos e flores de alfazema. Um sítio que pode ser aqui, nesta cidade, num recanto qualquer… Reconstruir o silêncio, num vaso à janela, num passeio á beira rio, numa história que se conta… no prazer duma noite reencontrada… Vamos dar força ao silêncio? Como se ele nos levasse ao encontro de nós? O silêncio… que nos permita sentir, sentir, pensar, meditar… O silêncio… que nos permita contemplar, com surpresa e júbilo… O silêncio… que nos faça sentir a presença de alguém… O silêncio… que nos transforme os gestos… O silencio que nos murmure… O silêncio… que nos permita falar sem falar… O silêncio… que nos dê a presença de alguém, algures ao longe… O silêncio… do nosso encantamento. Precisamos de nos encantar… Projectar em nós, por entre cinzas e lágrimas, a forma mágica de ousar sentir, de ousar ser, sem limites… sendo apenas nós, mesmo em tardes de sol quando se está triste e o limite parece aquém do horizonte. Precisamos de sermos imaginados, com encantamento, por alguém… Alguém que nos aconchegue ao mundo, discretamente, e que entre o burburinho dos gestos vazios, nos escute… e seja o fulgor magnífico do nosso próprio silêncio… Alguém… Nós, tu. Somente alguém. Talvez apenas esse silêncio.
.
(texto de autoria devidamente identificada)
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17/05/2005 - Posted by | Diversos |

12 comentários »

  1. Saudemos, pois, e respeitemos o silêncio. Em toda a sua eloquência :)*

    Comentar por Mitsou | 17/05/2005 | Responder

  2. O silêncio torna-se tão raro e precioso na sua ausência…

    abraço

    Comentar por contadordehistorias | 17/05/2005 | Responder

  3. Gosto muito do reboliço da cidade de Lisboa mas tb não dispenso uns dias na paz do silêncio. por isso mesmo dia 29 vou passar á tua porta e subir um pouco mais para ficar 15 dias no meio do silêncio. As termas são um optimo refugio para o corpo e para a mente. Duas semanas serão o suficiente para recarregar baterias por uns largos meses de poluição sonora aqui pela capital.

    Comentar por Grilinha | 17/05/2005 | Responder

  4. Cito
    “O silêncio… que nos permita sentir, sentir, pensar, …”

    Sentes o que eu sinto em silêncio?
    Pensas no que eu penso em silêncio?
    Choras comigo em silêncio?
    É lindo o teu texto…por isso choro, choro em silêncio…
    Também eu aprecio muito o silêncio…
    Bj

    Comentar por woelfin | 17/05/2005 | Responder

  5. “Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
    y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
    Parece que los ojos se te hubieran volado
    y parece que un beso te cerrara la boca.
    Como todas las cosas están llenas de mi alma
    emerges de las cosas, llena del alma mía.
    Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
    y te pareces a la palabra melancolía;
    Me gustas cuando callas y estás como distante.
    Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
    Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
    déjame que me calle con el silencio tuyo.
    Déjame que te hable también con tu silencio
    claro como una lámpara, simple como un anillo.
    Eres como la noche, callada y constelada.
    Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
    Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
    Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
    Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
    Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto. “

    Não é lindo este poema de Pablo Neruda?
    Com um beijinho para ti

    Comentar por woelfin | 17/05/2005 | Responder

  6. “O silêncio é de ouro”:)bjs

    Comentar por wind | 17/05/2005 | Responder

  7. No silêncio da noite pensei em ti..
    Esperando que o dia nascesse,
    tão silenciosamente presente..para estares aqui.
    E de repente, sem utopia
    O gelo se quebrou, como um frágil cristal..
    quando te vi..
    E na poesia que um dia..
    Fantasiosamente, vesti
    para ti..
    E num jeito de ser
    sem nada querer..
    de súbito eu vi..
    vi o teu coração..no silêncio
    insólito..
    da concha da minha mão.

    Um abraço

    woelfin: esse poema..é lindo:)

    Comentar por Guadalupe | 17/05/2005 | Responder

  8. “Silêncio é o Barulho Baixinho”
    Não sei onde li…mas sei que li.
    Beijinhos.

    Comentar por Ni | 18/05/2005 | Responder

  9. … o silêncio da voz quando se ouve o mar, o silêncio do vento, o silêncio da mente … o do sono, o da música que geme, o silêncio temente … o silêncio da vida, do sol, do dia, da noite … o silêncio do silêncio, o silêncio do fim …

    Comentar por Tão só, um pai | 18/05/2005 | Responder

  10. Aqui respira-se Paz, Tranquilidade, Serenidade…Amor!
    Está-se bem aqui…

    Obrigada, Quim!

    Jitos, BShell

    Comentar por BlueShell | 18/05/2005 | Responder

  11. “Quando não conseguimos encontrar tranquilidade dentro de nós mesmos, de nada serve procurá-la noutro lugar” – Autor desconhecido

    Comentar por O Micróbio | 18/05/2005 | Responder

  12. O silêncio sabe melhor a dois :)*

    piquica

    Comentar por Anonymous | 18/05/2005 | Responder


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