Lobices

…meiguices de lobos e não só…

>quadro

>

“…olhavas-me de baixo e eu sentia-me como presa naquele quadro dependurado naquela parede nua… havias-me pintado, traço a traço, ruga a ruga com aquele lápis de cera preta com que fazias os teus gatafunhos… olhavas-me de baixo e eu sentia-me perdida no meio do teu olhar que não sabia ler, que não sabia entender… havias-me traçado a pele enrugada à volta dos olhos, nas faces, as próprias linhas do franzir habitual da minha testa… como me houveras pintado tão bem… ainda recordo aquela manhã em que sentada no banco da cozinha me havias pedido para posar para ti… ri-me como se pudesses fazer tal coisa… e, depois destes anos todos passados, em que regresso apenas em memória, olho-te de cima e vejo-te a olhar para mim daí de baixo, em pé nesse chão de tábuas rabugentas e bafiosas… olhas-me com um olhar parado, sem fulgor, apagado, mas olhas-me e recordas-me… só não consigo entender se me olhas por respeito se por amor… e a dúvida mantém-me presa dentro desta moldura…”
Anúncios

03/04/2006 - Posted by | Diversos

18 comentários »

  1. >Lindo!Já tinha saudades do “mago das palavras”.Beijinhos :)*

    Comentar por Cinda | 04/04/2006 | Responder

  2. >Lindo!Já tinha saudades do "mago das palavras".Beijinhos :)*

    Comentar por Cinda | 04/04/2006 | Responder

  3. >O amor tudo da e tudo reclama para si…

    Comentar por Maria | 04/04/2006 | Responder

  4. >O amor tudo da e tudo reclama para si…

    Comentar por Maria | 04/04/2006 | Responder

  5. >Continua a pintar!Um abraço.

    Comentar por R/B Estação | 04/04/2006 | Responder

  6. >Continua a pintar!Um abraço.

    Comentar por Red Boys ESTAÇÃO | 04/04/2006 | Responder

  7. >Nunca entendi bem porque se colocam molduras nos quadros, para mim elas sitiam os sentimentos de quem os pintou e cerceiam o olhar de quem os olha. Todos os quadros deveriam viver livres nas nossas paredes, tão livres como no momento em que nasceram nas mãos dos seus criadores. Se o quadro da tua prosa não tivesse moldura, a dúvida jamais existiria. Lobito, como sempre, a minha vénia para a tua escrita, sem molduras, simplesmente livre e aberta para o coração de todos nós. Besitos para ti.

    Comentar por margarida | 04/04/2006 | Responder

  8. >Nunca entendi bem porque se colocam molduras nos quadros, para mim elas sitiam os sentimentos de quem os pintou e cerceiam o olhar de quem os olha. Todos os quadros deveriam viver livres nas nossas paredes, tão livres como no momento em que nasceram nas mãos dos seus criadores. Se o quadro da tua prosa não tivesse moldura, a dúvida jamais existiria. Lobito, como sempre, a minha vénia para a tua escrita, sem molduras, simplesmente livre e aberta para o coração de todos nós. Besitos para ti.

    Comentar por margarida | 04/04/2006 | Responder

  9. >Lindo! Continuo a gostar imenso de te ler.:)Beijinhos.

    Comentar por andorinha | 04/04/2006 | Responder

  10. >Lindo! Continuo a gostar imenso de te ler.:)Beijinhos.

    Comentar por andorinha | 04/04/2006 | Responder

  11. >olhares assim valem por eles próprios. sem outra razão aparente. belo texto. abraços

    Comentar por zé das loas | 05/04/2006 | Responder

  12. >olhares assim valem por eles próprios. sem outra razão aparente. belo texto. abraços

    Comentar por zé das loas | 05/04/2006 | Responder

  13. >ADOOOOORO esta canção,que surpresa boa…não sou capaz de lermais nada,agora não!…,vou ficar a ouvir …este é dos meus discos que ficaram pra trás,ninguém o vai ouvir……é ~isto mexe tanto comigo…desde que me lembro de ser gente…ups!abraço,muito apertado!margarida

    Comentar por Anonymous | 05/04/2006 | Responder

  14. >ADOOOOORO esta canção,que surpresa boa…não sou capaz de lermais nada,agora não!…,vou ficar a ouvir …este é dos meus discos que ficaram pra trás,ninguém o vai ouvir……é ~isto mexe tanto comigo…desde que me lembro de ser gente…ups!abraço,muito apertado!margarida

    Comentar por Anonymous | 05/04/2006 | Responder

  15. >O regresso só em memória, para mim, é sempre um grilhão. Porque regressamos sem já em nada podermos actuar. As nossas memórias são a nossa identidade, que com o decorrer dos anos vamos saboreando melhor, ou até nem tanto.

    Comentar por AQUILES | 06/04/2006 | Responder

  16. >O regresso só em memória, para mim, é sempre um grilhão. Porque regressamos sem já em nada podermos actuar. As nossas memórias são a nossa identidade, que com o decorrer dos anos vamos saboreando melhor, ou até nem tanto.

    Comentar por AQUILES | 06/04/2006 | Responder

  17. >belo texto mesmo (alma prisioneira da moldura c tempo para as rugas, bem compostas) musica belissima..adorei

    Comentar por Nina | 09/04/2006 | Responder

  18. >belo texto mesmo (alma prisioneira da moldura c tempo para as rugas, bem compostas) musica belissima..adorei

    Comentar por Nina | 09/04/2006 | Responder


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: