Lobices

…meiguices de lobos e não só…

>e em ti me eternizo

>“…os meus olhos pousam em ti e todos os meus sentidos te olham num delirar mútuo de atenção… vejo o teu corpo e deleito-me na tua alvura… cheiro o teu cheiro e aspiro a tranquilidade da tua paz…. ouço o teu respirar lento, como um lamento que não lamento… as minhas mãos tocam os teus cabelos e envolvem-se neles… acerco-me de ti e te toco… te sinto global e ali inteira frente a mim… beijo a tua boca e tudo se torna como num festim de doces carícias e sabor a sal… estou inteiro no teu corpo inteiro e me sinto nele como sinto o teu corpo em mim… é apenas um abraço, um enlace de braços que apertam sem apertar, sentindo apenas o teu respirar… minhas mãos percorrem a tua pele acetinada linda… fecho os olhos procurando apenas sentir… e sinto o desejo crescer em mim e o teu arfar sobe de tom… como é bom… a minha boca se cola na tua boca e a minha língua se funde dentro dela como se da tua se tratasse… é apenas mais um enlace… sinto o teu peito quente junto ao meu e beijo teus mamilos num acto de procura da loucura… loucura que me invade lentamente, premente ali presente ou então como se tudo mais estivesse ausente… meus braços te envolvem e se descobrem momento a momento como se fosse a primeira vez que no teu corpo se movem… sinto o cálido odor do teu corpo quente de amor, oferecendo-se como numa espécie de orgia sem pudor… minhas mãos tacteiam centímetro a centímetro toda a tua pele, todos os recantos de teus encantos e se encontram, de repente, sobre o teu ventre quente, dolente… afago tuas coxas e as tuas ancas e as aperto contra mim… procuro o teu sexo e o acaricio… beijo-te completamente num único beijo e me torno desejo do teu próprio desejo…te envolvo num abraço mais e te penetro… és tu que me possuis… não te tenho, és tu que me tens… movimentos doces se entrelaçam como se não fossemos dois mas um só… os nossos corpos se fundem num arfar profundo de prazer e loucura… já não sei o que sou, apenas em ti estou… eu sou tu e tu és eu numa fusão de ser e estar… na verdade és tu que me possuis pois eu não te tenho, és tu que me tens pois em ti eu me dou… e em ti eu me eternizo…”

28/01/2008 Posted by | amar | 1 Comentário

e em ti me eternizo

“…os meus olhos pousam em ti e todos os meus sentidos te olham num delirar mútuo de atenção… vejo o teu corpo e deleito-me na tua alvura… cheiro o teu cheiro e aspiro a tranquilidade da tua paz…. ouço o teu respirar lento, como um lamento que não lamento… as minhas mãos tocam os teus cabelos e envolvem-se neles… acerco-me de ti e te toco… te sinto global e ali inteira frente a mim… beijo a tua boca e tudo se torna como num festim de doces carícias e sabor a sal… estou inteiro no teu corpo inteiro e me sinto nele como sinto o teu corpo em mim… é apenas um abraço, um enlace de braços que apertam sem apertar, sentindo apenas o teu respirar… minhas mãos percorrem a tua pele acetinada linda… fecho os olhos procurando apenas sentir… e sinto o desejo crescer em mim e o teu arfar sobe de tom… como é bom… a minha boca se cola na tua boca e a minha língua se funde dentro dela como se da tua se tratasse… é apenas mais um enlace… sinto o teu peito quente junto ao meu e beijo teus mamilos num acto de procura da loucura… loucura que me invade lentamente, premente ali presente ou então como se tudo mais estivesse ausente… meus braços te envolvem e se descobrem momento a momento como se fosse a primeira vez que no teu corpo se movem… sinto o cálido odor do teu corpo quente de amor, oferecendo-se como numa espécie de orgia sem pudor… minhas mãos tacteiam centímetro a centímetro toda a tua pele, todos os recantos de teus encantos e se encontram, de repente, sobre o teu ventre quente, dolente… afago tuas coxas e as tuas ancas e as aperto contra mim… procuro o teu sexo e o acaricio… beijo-te completamente num único beijo e me torno desejo do teu próprio desejo…te envolvo num abraço mais e te penetro… és tu que me possuis… não te tenho, és tu que me tens… movimentos doces se entrelaçam como se não fossemos dois mas um só… os nossos corpos se fundem num arfar profundo de prazer e loucura… já não sei o que sou, apenas em ti estou… eu sou tu e tu és eu numa fusão de ser e estar… na verdade és tu que me possuis pois eu não te tenho, és tu que me tens pois em ti eu me dou… e em ti eu me eternizo…”

28/01/2008 Posted by | amar | 1 Comentário

>amor de lobos

>“…seriam cerca das 3 da madrugada quando na esquina da velha igreja daquela velha aldeia lá muito ao norte, quase a perder de vista a sua própria existência, se juntaram em silêncio 4 esbeltas mulheres de longos cabelos à solta, todas elas vestidas de branco… um branco alvo, como vestidas de noivas, sem véus nem grinaldas mas de branco… sentia-se um vento meio gélido naquele campo verde que se estendia para além das traseiras daquela velha igreja daquela velha aldeia… mas não se notou qualquer tremor de frio em nenhuma daquelas 4 esbeltas mulheres… a cor dos seus corpos roçava a cor do leite que, momentos antes haviam bebido dum mesmo canado… seus olhos negros, profundos, brilhavam quando os raios do luar daquela lua cheia lhes batiam nas faces em todo o seu fulgor… era uma lua grande, de prata, brilhando num brilho baço mas ao mesmo tempo ofuscante… deram-se as mãos umas às outras e continuaram o seu caminho… para trás ficava tão-somente um cheiro a flores… seus pés estavam nus e pareciam caminhar por sobre a erva daninha daquele campo verde… lá ao longe, um pouco mais para cima, divisava-se um morro e no cimo desse morro uma frondosa árvore, erguia os seus ramos numa espécie de posicionamento de espera e de aceitação… como que esperando por elas e pronta a abraçá-las… o silêncio era total e entre elas não se ouvia um único som… quem as visse de longe para cá daquela velha igreja daquela velha aldeia, pensaria que as 4 visões voavam ou pelo menos deslizavam… cada uma das que ficavam na ponta levava um cesto de verga coberto por pano branco de linho feito… e eis que chegaram aos pés da árvore… pousaram os 2 cestos de verga no chão e deram-se as mãos num círculo que abraçou o tronco da árvore frondosa e num misto de magia a árvore como que se baixou sobre elas como que as cobrindo num acto fálico enquanto as suas folhas roçavam os seus corpos… dos cestos, depois de terem desfeito o círculo, tiraram algo que não era visível aos olhos dos outros seres humanos e que não era possível descrever… entretanto, algures, num outro ponto daquela aldeia, deitado numa cama de doces sonhos, um homem alto, bem constituído fisicamente, com o corpo nu coberto de pelos negros, dormia e via-se que estava possuído por algum sonho de lascívio prazer, pois notava-se através da roupa da cama que o cobria que o seu sexo estava excitado e algumas gotas de suor lhe cobriam o peito forte… repentinamente, num passe de feitiço, esse “sonho” transportou-o para os pés daquela árvore frondosa onde se encontravam as 4 mulheres lindas vestidas de branco… ele olhou para ele mesmo e viu-se nu, tal como viera ao mundo e ao ver aquelas mulheres instintivamente levou as mãos numa tentativa de tapar o seu sexo erecto… a partir desse momento aquele homem entrou num espanto e seus olhos não queriam crer naquilo que estavam a ver… elas se começaram a despir e apenas tinham aquele vestido branco sobre as suas peles acetinadas cor de leite… e ele olhava… elas começaram a sorrir e os seus sorrisos eram como um convite ao sonho… daqueles cestos retiraram uns frascos que continham vários fluidos e começaram a untar os seus corpos… e ele olhava e começava a compreender o que via… elas o fizeram ver… uma se untava de mel, uma outra de untava de leite puro de ovelha uma outra de água salgada do mar e a outra de um creme que cheirava a jasmim… e ele não resistiu e o sexo se tornou novamente erecto e o seu corpo parou de tremer… aqueles corpos untados cintilavam quando os raios da lua cheia lhes batia na pele e elas continuaram com o ritual… todo o seu corpo foi untado incluindo os seios, o pescoço, as pernas,… apenas os cabelos soltos ficaram secos… então, elas se aproximaram daquele homem e se roçaram por ele de tal forma que o corpo dele ficou totalmente embebido daquela mistura de fluidos…apenas as mãos dele ficaram secas… e num acto quase que instintivo elas se deitaram no chão sobre os vestidos brancos que faziam de leito, o leito do Amor, o leito da procura do Amor, o leito da descoberta do Amor… e ele se misturou com elas e começou a possuí-las, uma a uma, e também numa mistura arbitrária de escolha… o seu corpo confundia-se agora com o corpo delas e já não existiam 4 mulheres ali… apenas existia uma única mulher onde ele se fundia numa escolha impossível… os ventres juntavam-se e os costados também… ele as tomou por detrás agarrando-se aos cabelos delas com as suas mãos possantes e puxava as cabeças delas num misto de prazer e dor, de agonia e êxtase, como se tudo se pudesse perder num só instante, numa avidez de gozo indescritível … de repente ele sentiu os diversos odores que o cercavam e aos poucos foi deixando uma a uma até que ficou olhando aquela que cheirava a mar… e, nesse momento, algo de mágico se passou: um raio de luar atingiu-o e ele numa nova forma de sentir, viu lentamente o seu corpo transformar-se em lobo, um corpo coberto de pelo sedoso negro e brilhante ao mesmo tempo que a mulher que cheirava a mar se posicionava como fêmea do lobo… e ele a agarrou pelos cabelos puxando a sua cabeça para o seu peito e com firmeza a penetrou fundo num acto de posse total, num acto de prazer inimaginável onde a fusão foi possível tão-somente por magia… o seu corpo ofegou e o instinto animal veio ao de cima e, no mesmo momento em que lambia todo aquele mar, ele, num último uivo lancinante de prazer, espalhou sobre ela todo o fruto do seu Amor… então os corpos se misturaram e apenas se divisava um casal de lobos fazendo Amor… os seus corpos não conseguiam parar e num espasmo final ela se transformou em maresia, como que alva espuma misturada com o fluído dele… então, naquele silêncio de corpos se amando, um último uivo, não o dele mas o dela, se fez ouvir por aquela encosta abaixo, no preciso momento em que os primeiros raios de sol começavam ao longe, bem perto daquela velha igreja daquela velha aldeia, a despontar… nesse momento, o homem acordou de repente na sua cama e olhou e viu: uma mulher linda, vestida de branco, dormia profundamente ao seu lado…”

24/01/2008 Posted by | amar | 1 Comentário

amor de lobos

“…seriam cerca das 3 da madrugada quando na esquina da velha igreja daquela velha aldeia lá muito ao norte, quase a perder de vista a sua própria existência, se juntaram em silêncio 4 esbeltas mulheres de longos cabelos à solta, todas elas vestidas de branco… um branco alvo, como vestidas de noivas, sem véus nem grinaldas mas de branco… sentia-se um vento meio gélido naquele campo verde que se estendia para além das traseiras daquela velha igreja daquela velha aldeia… mas não se notou qualquer tremor de frio em nenhuma daquelas 4 esbeltas mulheres… a cor dos seus corpos roçava a cor do leite que, momentos antes haviam bebido dum mesmo canado… seus olhos negros, profundos, brilhavam quando os raios do luar daquela lua cheia lhes batiam nas faces em todo o seu fulgor… era uma lua grande, de prata, brilhando num brilho baço mas ao mesmo tempo ofuscante… deram-se as mãos umas às outras e continuaram o seu caminho… para trás ficava tão-somente um cheiro a flores… seus pés estavam nus e pareciam caminhar por sobre a erva daninha daquele campo verde… lá ao longe, um pouco mais para cima, divisava-se um morro e no cimo desse morro uma frondosa árvore, erguia os seus ramos numa espécie de posicionamento de espera e de aceitação… como que esperando por elas e pronta a abraçá-las… o silêncio era total e entre elas não se ouvia um único som… quem as visse de longe para cá daquela velha igreja daquela velha aldeia, pensaria que as 4 visões voavam ou pelo menos deslizavam… cada uma das que ficavam na ponta levava um cesto de verga coberto por pano branco de linho feito… e eis que chegaram aos pés da árvore… pousaram os 2 cestos de verga no chão e deram-se as mãos num círculo que abraçou o tronco da árvore frondosa e num misto de magia a árvore como que se baixou sobre elas como que as cobrindo num acto fálico enquanto as suas folhas roçavam os seus corpos… dos cestos, depois de terem desfeito o círculo, tiraram algo que não era visível aos olhos dos outros seres humanos e que não era possível descrever… entretanto, algures, num outro ponto daquela aldeia, deitado numa cama de doces sonhos, um homem alto, bem constituído fisicamente, com o corpo nu coberto de pelos negros, dormia e via-se que estava possuído por algum sonho de lascívio prazer, pois notava-se através da roupa da cama que o cobria que o seu sexo estava excitado e algumas gotas de suor lhe cobriam o peito forte… repentinamente, num passe de feitiço, esse “sonho” transportou-o para os pés daquela árvore frondosa onde se encontravam as 4 mulheres lindas vestidas de branco… ele olhou para ele mesmo e viu-se nu, tal como viera ao mundo e ao ver aquelas mulheres instintivamente levou as mãos numa tentativa de tapar o seu sexo erecto… a partir desse momento aquele homem entrou num espanto e seus olhos não queriam crer naquilo que estavam a ver… elas se começaram a despir e apenas tinham aquele vestido branco sobre as suas peles acetinadas cor de leite… e ele olhava… elas começaram a sorrir e os seus sorrisos eram como um convite ao sonho… daqueles cestos retiraram uns frascos que continham vários fluidos e começaram a untar os seus corpos… e ele olhava e começava a compreender o que via… elas o fizeram ver… uma se untava de mel, uma outra de untava de leite puro de ovelha uma outra de água salgada do mar e a outra de um creme que cheirava a jasmim… e ele não resistiu e o sexo se tornou novamente erecto e o seu corpo parou de tremer… aqueles corpos untados cintilavam quando os raios da lua cheia lhes batia na pele e elas continuaram com o ritual… todo o seu corpo foi untado incluindo os seios, o pescoço, as pernas,… apenas os cabelos soltos ficaram secos… então, elas se aproximaram daquele homem e se roçaram por ele de tal forma que o corpo dele ficou totalmente embebido daquela mistura de fluidos…apenas as mãos dele ficaram secas… e num acto quase que instintivo elas se deitaram no chão sobre os vestidos brancos que faziam de leito, o leito do Amor, o leito da procura do Amor, o leito da descoberta do Amor… e ele se misturou com elas e começou a possuí-las, uma a uma, e também numa mistura arbitrária de escolha… o seu corpo confundia-se agora com o corpo delas e já não existiam 4 mulheres ali… apenas existia uma única mulher onde ele se fundia numa escolha impossível… os ventres juntavam-se e os costados também… ele as tomou por detrás agarrando-se aos cabelos delas com as suas mãos possantes e puxava as cabeças delas num misto de prazer e dor, de agonia e êxtase, como se tudo se pudesse perder num só instante, numa avidez de gozo indescritível … de repente ele sentiu os diversos odores que o cercavam e aos poucos foi deixando uma a uma até que ficou olhando aquela que cheirava a mar… e, nesse momento, algo de mágico se passou: um raio de luar atingiu-o e ele numa nova forma de sentir, viu lentamente o seu corpo transformar-se em lobo, um corpo coberto de pelo sedoso negro e brilhante ao mesmo tempo que a mulher que cheirava a mar se posicionava como fêmea do lobo… e ele a agarrou pelos cabelos puxando a sua cabeça para o seu peito e com firmeza a penetrou fundo num acto de posse total, num acto de prazer inimaginável onde a fusão foi possível tão-somente por magia… o seu corpo ofegou e o instinto animal veio ao de cima e, no mesmo momento em que lambia todo aquele mar, ele, num último uivo lancinante de prazer, espalhou sobre ela todo o fruto do seu Amor… então os corpos se misturaram e apenas se divisava um casal de lobos fazendo Amor… os seus corpos não conseguiam parar e num espasmo final ela se transformou em maresia, como que alva espuma misturada com o fluído dele… então, naquele silêncio de corpos se amando, um último uivo, não o dele mas o dela, se fez ouvir por aquela encosta abaixo, no preciso momento em que os primeiros raios de sol começavam ao longe, bem perto daquela velha igreja daquela velha aldeia, a despontar… nesse momento, o homem acordou de repente na sua cama e olhou e viu: uma mulher linda, vestida de branco, dormia profundamente ao seu lado…”

24/01/2008 Posted by | amar | 1 Comentário

>religião e sacrifício

>
“…Às vezes, perguntam-me o que é que eu penso sobre o gesto daquela gente que, em Fátima, se arrasta de joelhos ou até só se arrasta pura e simplesmente…
A resposta é simples: evidentemente, tenho compreensão sincera e compassiva (no sentido etimológico da palavra compaixão) para com aqueles e aquelas que, no abismo da sua dor ou tragédia, se convenceram de que, arrastando-se diante da divindade, a comoveriam e forçariam a libertá-los… Mas também é evidente para qualquer ser pensante que um Deus que, para ser favorável ao ser humano, precisasse de toda aquela humilhação e tortura era um Deus sádico, que, por isso mesmo, não poderia merecer consideração nem respeito. Perante um Deus sádico, só há uma atitude humanamente digna: que passe bem sem nós… No entanto, foi pregado tonitruantemente ao longo de demasiado tempo que Deus precisou do sangue do próprio Filho para aplacar a sua ira divina… Pergunta-se: como é que foi possível pregar e acreditar num Deus vingativo e sádico, um Deus pior que qualquer pai humano sadio, decente?…
É evidente que Jesus não morreu na cruz para aplacar a ira de Deus. Jesus foi vitima da maldade dos homens e mulheres, e não da ira de Deus… A cruz de Cristo é a expressão máxima do amor incondicional de Deus para com todos os homens e mulheres. Jesus, o excluído, é aquele que não exclui ninguém. Pelo contrário, inclui a todos no amor sem condições… É isso: o sacrifício pelo sacrifício é detestável. Mas, por outro lado, nada vale realmente sem sacrifício. Por causa do império de uma banalidade mole hoje triunfante, é recusado a muitos o sabor daquela alegria que resulta da superação dos obstáculos… De facto, na de grande, belo e valioso e digno se faz e constrói no mundo sem sacrifício. Os valores merecem que nos batamos por eles, e é esse sacrifício enquanto luta por aquilo que vale que nos engrandece como seres humanos… Quem diz que ama e não está disposto a sacrificar-se por aquele que ama anda enganado e mente a si próprio. Quem ama verdadeiramente está disposto a sacrificar-se por aquele, por aquele, por aqueles que realmente ama. É esse amor que salva o mundo e faz novas todas as coisas. Mas aí, quando se ama, a cruz é leve… Àqueles que o criticavam por participar em banquetes oferecidos por pecadores públicos Jesus respondeu: “Ide aprender o que significa: O que eu quero é misericórdia e não sacrifício”. Jesus também disse: “Quem quiser seguir-me tome a sua cruz todos os dias”. Referia-se àquela cruz que dá testemunho da verdade e que acompanha o combate pela liberdade, pela dignidade, pela justiça, pela criação, pelo amor…”

In JANELA DO (IN)VISÍVEL
Por
Pe. ANSELMO BORGES

(porque o subscrevo)

22/01/2008 Posted by | amar | 1 Comentário

religião e sacrifício


“…Às vezes, perguntam-me o que é que eu penso sobre o gesto daquela gente que, em Fátima, se arrasta de joelhos ou até só se arrasta pura e simplesmente…
A resposta é simples: evidentemente, tenho compreensão sincera e compassiva (no sentido etimológico da palavra compaixão) para com aqueles e aquelas que, no abismo da sua dor ou tragédia, se convenceram de que, arrastando-se diante da divindade, a comoveriam e forçariam a libertá-los… Mas também é evidente para qualquer ser pensante que um Deus que, para ser favorável ao ser humano, precisasse de toda aquela humilhação e tortura era um Deus sádico, que, por isso mesmo, não poderia merecer consideração nem respeito. Perante um Deus sádico, só há uma atitude humanamente digna: que passe bem sem nós… No entanto, foi pregado tonitruantemente ao longo de demasiado tempo que Deus precisou do sangue do próprio Filho para aplacar a sua ira divina… Pergunta-se: como é que foi possível pregar e acreditar num Deus vingativo e sádico, um Deus pior que qualquer pai humano sadio, decente?…
É evidente que Jesus não morreu na cruz para aplacar a ira de Deus. Jesus foi vitima da maldade dos homens e mulheres, e não da ira de Deus… A cruz de Cristo é a expressão máxima do amor incondicional de Deus para com todos os homens e mulheres. Jesus, o excluído, é aquele que não exclui ninguém. Pelo contrário, inclui a todos no amor sem condições… É isso: o sacrifício pelo sacrifício é detestável. Mas, por outro lado, nada vale realmente sem sacrifício. Por causa do império de uma banalidade mole hoje triunfante, é recusado a muitos o sabor daquela alegria que resulta da superação dos obstáculos… De facto, na de grande, belo e valioso e digno se faz e constrói no mundo sem sacrifício. Os valores merecem que nos batamos por eles, e é esse sacrifício enquanto luta por aquilo que vale que nos engrandece como seres humanos… Quem diz que ama e não está disposto a sacrificar-se por aquele que ama anda enganado e mente a si próprio. Quem ama verdadeiramente está disposto a sacrificar-se por aquele, por aquele, por aqueles que realmente ama. É esse amor que salva o mundo e faz novas todas as coisas. Mas aí, quando se ama, a cruz é leve… Àqueles que o criticavam por participar em banquetes oferecidos por pecadores públicos Jesus respondeu: “Ide aprender o que significa: O que eu quero é misericórdia e não sacrifício”. Jesus também disse: “Quem quiser seguir-me tome a sua cruz todos os dias”. Referia-se àquela cruz que dá testemunho da verdade e que acompanha o combate pela liberdade, pela dignidade, pela justiça, pela criação, pelo amor…”

In JANELA DO (IN)VISÍVEL
Por
Pe. ANSELMO BORGES

(porque o subscrevo)

22/01/2008 Posted by | amar | 1 Comentário

>o momento divino

>“… desde sempre me interroguei sobre o porquê do orgasmo ser algo que não tem similitude com qualquer outra sensação do corpo humano… ou seja, os sentidos proporcionam-nos sensações definidas e concretas que sabemos entender e para além de as poder referenciar, podemos também encontrar algumas parecenças entre umas e outras… estou a lembrar-me, por exemplo, do “prazer” de aliviar a bexiga, do “prazer” de espirrar, do “prazer” de inspirar a maresia, do “prazer” de saborear um bom gelado, etc… nesses prazeres, podemos encontrar algumas parecenças entre uns e outros mas todos eles definidos, circunscritos e absolutamente “normais”… o prazer no momento do orgasmo é algo que transcende todos os outros… é o prazer supremo… o cume dos sentidos… o topo de gama!… em toda a minha vida ainda não encontrei nada melhor, nada que proporcionasse ao meu corpo (e penso que ao meu espírito) a escalada ao pico dos prazeres sensoriais… é algo que não tem explicação… podem vir com teses neurológicas, fisiológicas e outras que tais mas a verdade final será sempre a mesma: maior e melhor prazer que um orgasmo, não existe!… daí que, me tenha interrogado ao longo da vida sobre o porquê de tal sublimação!… ou seja, porque razão é aquele e não outro o prazer maior… há filosofias que defendem a ideia de que o sexo é a sublimação por excelência na medida em que significa a união que cria vida… repensei e admiti que o orgasmo também pode ser obtido por estimulação solitária, a vulgar masturbação… porém, aprendi ao longo dos tempos que há diferença entre o prazer que se obtém no orgasmo provindo dum acto solitário e o que se obtém na junção de dois corpos no acto da mais pura cópula, entenda-se vaginal… assim, fui procurando tentar entender porque razão a “natureza” premeia com um prazer sublime todo e qualquer acto sexual na junção de um pénis com uma vagina… desde a necessidade de procriar para a continuidade da espécie, até à frase batida de que até os bichinhos gostam, a verdade é que de todos os actos humanos, aquele é o topo de gama!… só pode haver uma razão: ser aquele momento, o momento divino, o momento em que Deus está em nós e se sublima, sublimando-nos!… é o momento em que Ele vive, em que Ele vibra… é o momento em que Ele diz que existe, que está, que é… é o momento em que Ele nos penetra em totalidade e num único e breve instante Ele se reduz à insignificância do Homem e se transcende na divina certeza de que aquele é tão-somente e apenas o momento da fusão da carne e do espírito… o fugaz momento em que o Homem se torna Deus!…”

20/01/2008 Posted by | amar | 3 comentários

o momento divino

“… desde sempre me interroguei sobre o porquê do orgasmo ser algo que não tem similitude com qualquer outra sensação do corpo humano… ou seja, os sentidos proporcionam-nos sensações definidas e concretas que sabemos entender e para além de as poder referenciar, podemos também encontrar algumas parecenças entre umas e outras… estou a lembrar-me, por exemplo, do “prazer” de aliviar a bexiga, do “prazer” de espirrar, do “prazer” de inspirar a maresia, do “prazer” de saborear um bom gelado, etc… nesses prazeres, podemos encontrar algumas parecenças entre uns e outros mas todos eles definidos, circunscritos e absolutamente “normais”… o prazer no momento do orgasmo é algo que transcende todos os outros… é o prazer supremo… o cume dos sentidos… o topo de gama!… em toda a minha vida ainda não encontrei nada melhor, nada que proporcionasse ao meu corpo (e penso que ao meu espírito) a escalada ao pico dos prazeres sensoriais… é algo que não tem explicação… podem vir com teses neurológicas, fisiológicas e outras que tais mas a verdade final será sempre a mesma: maior e melhor prazer que um orgasmo, não existe!… daí que, me tenha interrogado ao longo da vida sobre o porquê de tal sublimação!… ou seja, porque razão é aquele e não outro o prazer maior… há filosofias que defendem a ideia de que o sexo é a sublimação por excelência na medida em que significa a união que cria vida… repensei e admiti que o orgasmo também pode ser obtido por estimulação solitária, a vulgar masturbação… porém, aprendi ao longo dos tempos que há diferença entre o prazer que se obtém no orgasmo provindo dum acto solitário e o que se obtém na junção de dois corpos no acto da mais pura cópula, entenda-se vaginal… assim, fui procurando tentar entender porque razão a “natureza” premeia com um prazer sublime todo e qualquer acto sexual na junção de um pénis com uma vagina… desde a necessidade de procriar para a continuidade da espécie, até à frase batida de que até os bichinhos gostam, a verdade é que de todos os actos humanos, aquele é o topo de gama!… só pode haver uma razão: ser aquele momento, o momento divino, o momento em que Deus está em nós e se sublima, sublimando-nos!… é o momento em que Ele vive, em que Ele vibra… é o momento em que Ele diz que existe, que está, que é… é o momento em que Ele nos penetra em totalidade e num único e breve instante Ele se reduz à insignificância do Homem e se transcende na divina certeza de que aquele é tão-somente e apenas o momento da fusão da carne e do espírito… o fugaz momento em que o Homem se torna Deus!…”

20/01/2008 Posted by | amar | 3 comentários

>anatomia de um beijo

>“…coloco um beijo na palma da minha mão e olho-o para o estudar, para o entender, para saber algo mais sobre ele… a sensação é apenas de toque suave dos meus lábios na palma da minha mão… nada mais retenho que o saber que senti a minha pele tocada pela minha própria boca… preciso saber mais sobre o beijo… examinar minuciosamente de forma a sentir o beijo como algo físico, palpável, real… então, aproximo-me de ti e olho-te nos olhos, nesses olhos que brilham dentro de mim como se tu não estivesses ali mas aqui, como se tu fosses parte do meu ser… toco-te com as minhas mãos nos teus ombros e dou um passo em direcção a ti… tua face serena, abre-se num sorriso… levo a minha mão aos teus cabelos e acaricio-os deslizando na seda dos mesmos… os nossos corpos encostam-se ao de leve num toque global presente sem ausência de sentidos, bem pelo contrário, com os sentidos todos em alerta… olho a tua boca entreaberta nesse sorriso que me encanta e seduz… és luz… és sol… és brilho em meu redor… humedeço meus lábios e aproximo-me lentamente da tua face… toco com eles ao de leve na pele que reluz perante o meu olhar… sinto o sal… um sabor leve a mar… os meus lábios tocam as tuas pálpebras fechadas para receber o meu beijo… sinto um suave sentir, um sorrir no olhar como se de outra boca se tratasse… retiro a minha boca e olho-te de novo… preciso saber o porquê do beijo saber a tudo o que tu és, numa dimensão de ser paz, doçura, mel e mar… vejo-te humedeceres os teus lábios e muito suavemente toco-os com os meus… mantenho a minha boca ao de leve no teu lábio superior e de seguida saboreio o teu lábio inferior… e sinto amor…sinto que preciso de sentir mais, de saber mais e melhor o porquê da paixão… é nesse momento que toco em completo a tua boca e saboreio o mel que tal sensação me transmite… as línguas tocam-se ao de leve para em seguida se fundirem num só beijo, num só toque… já não são duas bocas que se beijam pois é apenas o beijo em si mesmo que ali se encontra, se forma, se transmuta, se torna ávido e sereno ao mesmo tempo… mantemos o sentir tais sentidos, leves, lábios mordidos, línguas entrelaçadas e o sabor doce penetrar em permuta o âmago daquela sensual luta de pele com pele, de alma com alma, de corpo com corpo… e a paixão nasce daí e cresce em mim como em ti… saboreamos o momento… entramos em transe e deixamos de ser quem somos… e o beijo perdura num planar de doçura… e o beijo se torna dono de nós num galopar de sensações plenas, profundas mas de tal forma suaves e serenas que o beijo deixa de ser beijo para passar a ser desejo…”

16/01/2008 Posted by | amar | 6 comentários

anatomia de um beijo

“…coloco um beijo na palma da minha mão e olho-o para o estudar, para o entender, para saber algo mais sobre ele… a sensação é apenas de toque suave dos meus lábios na palma da minha mão… nada mais retenho que o saber que senti a minha pele tocada pela minha própria boca… preciso saber mais sobre o beijo… examinar minuciosamente de forma a sentir o beijo como algo físico, palpável, real… então, aproximo-me de ti e olho-te nos olhos, nesses olhos que brilham dentro de mim como se tu não estivesses ali mas aqui, como se tu fosses parte do meu ser… toco-te com as minhas mãos nos teus ombros e dou um passo em direcção a ti… tua face serena, abre-se num sorriso… levo a minha mão aos teus cabelos e acaricio-os deslizando na seda dos mesmos… os nossos corpos encostam-se ao de leve num toque global presente sem ausência de sentidos, bem pelo contrário, com os sentidos todos em alerta… olho a tua boca entreaberta nesse sorriso que me encanta e seduz… és luz… és sol… és brilho em meu redor… humedeço meus lábios e aproximo-me lentamente da tua face… toco com eles ao de leve na pele que reluz perante o meu olhar… sinto o sal… um sabor leve a mar… os meus lábios tocam as tuas pálpebras fechadas para receber o meu beijo… sinto um suave sentir, um sorrir no olhar como se de outra boca se tratasse… retiro a minha boca e olho-te de novo… preciso saber o porquê do beijo saber a tudo o que tu és, numa dimensão de ser paz, doçura, mel e mar… vejo-te humedeceres os teus lábios e muito suavemente toco-os com os meus… mantenho a minha boca ao de leve no teu lábio superior e de seguida saboreio o teu lábio inferior… e sinto amor…sinto que preciso de sentir mais, de saber mais e melhor o porquê da paixão… é nesse momento que toco em completo a tua boca e saboreio o mel que tal sensação me transmite… as línguas tocam-se ao de leve para em seguida se fundirem num só beijo, num só toque… já não são duas bocas que se beijam pois é apenas o beijo em si mesmo que ali se encontra, se forma, se transmuta, se torna ávido e sereno ao mesmo tempo… mantemos o sentir tais sentidos, leves, lábios mordidos, línguas entrelaçadas e o sabor doce penetrar em permuta o âmago daquela sensual luta de pele com pele, de alma com alma, de corpo com corpo… e a paixão nasce daí e cresce em mim como em ti… saboreamos o momento… entramos em transe e deixamos de ser quem somos… e o beijo perdura num planar de doçura… e o beijo se torna dono de nós num galopar de sensações plenas, profundas mas de tal forma suaves e serenas que o beijo deixa de ser beijo para passar a ser desejo…”

16/01/2008 Posted by | amar | 6 comentários

>regresso

>“…acabou-se o que era bom!… Mas tudo tem de ter um términos e o período de 15 dias de descanso serviu para retemperar as forças físicas e psíquicas para aguentar mais um período de trabalho, um trabalho que não sendo “trabalho” é muito trabalhoso… mas enfim, lá tem de ser e pronto, há que andar para a frente e enfrentar o dia a dia esperando que tudo se vá resolvendo pelo melhor… mas quanto às férias, a única coisa que vos digo é que foram maravilhosas (em todos os sentidos)… os locais por onde andei (sempre em óptima companhia) apesar de não ter sido a primeira vez que lá havia estado, são locais de sonho e de muito descanso tanto para o corpo como para a mente… por outro lado, pela boca peca-se pelas iguarias com que nos deparamos onde quer que se vá… é um sabor divino qualquer um daqueles sabores (e eu que tanto gosto de sabores e saberes…)… enfim, uma pequena prenda que dei a mim mesmo… aproveito para agradecer as vossas amáveis visitas, os vossos agradáveis e simpáticos comentários e agora, passado este período, espero voltar aos meus textos, às minhas palavras, às minhas divagações pela escrita que vós tanto me reconfortais pela vossa sempre presente presença… não vos vou cansar com fotos dos locais… deixo apenas ali ao canto um pequeno pormenor apenas para colorir um pouco este branco espaço que a palavra escrita preenche… os meus (sempre) abraços e beijos para todos…”

15/01/2008 Posted by | amar | 6 comentários

regresso

“…acabou-se o que era bom!… Mas tudo tem de ter um términos e o período de 15 dias de descanso serviu para retemperar as forças físicas e psíquicas para aguentar mais um período de trabalho, um trabalho que não sendo “trabalho” é muito trabalhoso… mas enfim, lá tem de ser e pronto, há que andar para a frente e enfrentar o dia a dia esperando que tudo se vá resolvendo pelo melhor… mas quanto às férias, a única coisa que vos digo é que foram maravilhosas (em todos os sentidos)… os locais por onde andei (sempre em óptima companhia) apesar de não ter sido a primeira vez que lá havia estado, são locais de sonho e de muito descanso tanto para o corpo como para a mente… por outro lado, pela boca peca-se pelas iguarias com que nos deparamos onde quer que se vá… é um sabor divino qualquer um daqueles sabores (e eu que tanto gosto de sabores e saberes…)… enfim, uma pequena prenda que dei a mim mesmo… aproveito para agradecer as vossas amáveis visitas, os vossos agradáveis e simpáticos comentários e agora, passado este período, espero voltar aos meus textos, às minhas palavras, às minhas divagações pela escrita que vós tanto me reconfortais pela vossa sempre presente presença… não vos vou cansar com fotos dos locais… deixo apenas ali ao canto um pequeno pormenor apenas para colorir um pouco este branco espaço que a palavra escrita preenche… os meus (sempre) abraços e beijos para todos…”

15/01/2008 Posted by | amar | 6 comentários