Lobices

…meiguices de lobos e não só…

viver

“… havia apenas um silêncio todo ele verde formado por árvores frondosas, um cheiro a erva, a pinheiro, a eucalipto e o marulhar de um riacho com o bater compassado da água nas pedras soltas do seu leito… o silêncio também tinha asas… eram os pássaros que não distingo as espécies, um milhafre e quem sabe talvez uma águia… era um silêncio que também possuía a qualidade de ser tocado, bastava para isso, abrir os braços e inspirar fundo a plenos pulmões e sentir o seu abraço dentro do corpo beijando a alma… era um silêncio feliz porque me fazia sorrir e cerrar os olhos para o ouvir… um silêncio que também se via mesmo sem o olhar… o silêncio puro, alvo, cristalino, todo ele formado de muitas coisas que o tornavam único… tê-lo ali comigo era uma espécie de bênção e senti-lo ainda me provocava mais prazer… deixei-me ficar, ali nele deitado a usufruir a sua existência… de olhos fechados sabia-me fazer parte dele… senti-o penetrar-me devagar com suavidade e deixei-me embalar numa canção sem acordes mas que me deixavam perceber o porquê de tudo… ali, uma só molécula e eu fazia parte dela… um só mundo… um só ser… o sagrado estatuto de viver…”

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11/07/2008 - Posted by | vida

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