Lobices

…meiguices de lobos e não só…

Pureza

kjh004aa

30/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Indeterminado

“…Acabo de chegar de um lugar indeterminado… não o sei localizar… fica algures na minha memória, já um pouco esbatida pelo tempo… gastei muito do meu tempo a lembrar o que não deveria ter sido recordado… Mas o arrependimento não traz nada de novo, apenas revolve o velho e não deixámos de ser o que somos, apenas almas errantes neste mundo de contrastes e de negações… Somos apenas e tão somente os “dejectos” dum mundo imperfeito… Não nos foi dada a possibilidade de esboçar a nossa própria vida e assim temos de nos contentar com os constantes ensaios que fazem de nós, indeterminando a solução final… Perdemo-nos na amálgama do tempo e da insanidade… Já não somos quem queremos ser… Somos apenas o que nos “dão” para ser… Permitem-nos viver de memórias e de factos que de novo se transformam em lembranças… Mas, lembrar para quê?… Para sofrer?… Para verificar que afinal de contas de nada serviu o esboço que de mim fizeram em constantes ensaios que a nada me levaram?… Apenas à negação, só me levaram à negação… Não sei quem sou… Talvez nem queira saber… Não foi para isso que aqui vim… vim a este mundo para ser feliz, disseram-me um dia; e eu, parvo, acreditei… Vivi correndo nesse sentido… esbocei sorrisos e ensaiei risadas… Tropecei, caí mas de novo me levantava… O horizonte estava sempre perto e me bastava estender a mão… a ajuda nunca me era negada… acreditei que o esboço que de mim fizeram em alguma coisa de bom se haveria de tornar, um dia, quando não sabia, mas haveria de me realizar… Engano… Puro engano… Quando dei por mim estava caído, só, perdido, fendido em mil pedaços de mim, dorido de dores que não imaginava existirem… Mesmo assim olhava em frente na expectativa de que o esboço que fizeram de mim, depois de tantos e tantos ensaios, me permitissem olhar e sorrir de novo… Fiz isso muitas vezes… E havia sempre uma mão, ali, expectante, sorrindo para mim (engano)… Para que foi que me sorriram?… Porque me enganaram?… Porque me disseram que sim?… Porque razão me arrastei até aqui?… Porquê?… Que ganhei eu?… Derrota após derrota?… Claro que ganhei muitas batalhas, claro que sorri muitas vezes, claro que dei gritos de espanto e de prazer, claro que sim, mas, para quê?… Para chegar a este fim?… Para verificar que tudo o que vivi foi uma dramatização de mais uma história igual a tantas outras histórias de amor e sofrimento?… Foi para isso?… Foi para isso que me trouxeram até aqui?… Foi para verificar que “isso” não existe?… E, o que é o “isso”?… O “isso” é um sarcástico riso dum engano simples mas preciso… dizem-nos: Vai e sê feliz, foi para isso que aqui vieste… E eu vim, olhando, sorrindo, esboçando e ensaiando o que poderia vir a ser e a ter: um amor, o amor!… Amei e fui amado… Quis ficar pela simples razão de ter gostado… Então amei e fui novamente amado e numa infindável sequência de vidas eu percebi que estava a ser traido pelo esboço que fizeram de mim… o ensaio não tinha tido ensaio-geral… o pano subira para a representação da vida e eu não sabia o papel… Destruiram-me, logo ali, logo à partida… Negaram-me a possibilidade de estudar melhor as deixas e as palavras, os tregeitos e a forma de colocar o corpo no palco da vida… o esboço havia sido mal concebido; o ensaio não havia servido de nada… Não havia ponto… Não havia nada… No entanto, pensei que havia tudo e de nada me servi a não ser da minha inadaptação ao papel…  Fui um mau actor… As lágrimas caiem-me agora e ninguém as vê… só eu as sinto aqui ao meu redor… os olhos se me toldam numa profunda mágoa e a tristeza me invade… Quis amar e ser amado… E, sou-o!… Para quê?… Onde é que ele está?… Aqui, ao meu lado?… Ali, depois daquela esquina?… Depois, um pouco mais para além do horizonte?… Ou a seguir àquele arco-íris colorido de vida mas que nada mais me traz para além dessas mesmas cores… Isto não é um grito… É para dizer que não me contratem mais… não há esboço e ensaio que cheguem para me reconstruirem de novo… a “argamassa” foi totalmente utilizada quando havia um sorriso, quando havia riso e olhos brilhantes… Já não sei o papel de cor e já não consigo ler… No entanto, o amor não precisa de esboços nem de ensaios… no entanto, o amor não precisa de saber o papel, nem de ponto, nem de palco… o amor precisa de actor, de alguém que grite que está vivo, que ainda não perdeu a única “coisa” que tem para dar e isso está ainda dentro do meu coração, ainda pulsa e me diz que é, que existe, que sente, que vibra… Grito, no meio de uma lágrima escorrendo sobre um sorriso, que por muitos esboços e ensaios, eu ainda o sinto e que esse amor (latente, vivo) não acabará nunca, morrerá comigo, levá-lo-ei para onde eu for, será presa de mim mas não estará preso em mim, será livre de ser o que tiver de ser, será o advir… Porém, mesmo inacabado, ele não é meu nem é amado, é puramente a ti e unicamente a ti, dado…”

29/06/2009 Posted by | Diversos | 6 comentários

Flames

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28/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Desejo

“…não sabem o que é bom desfrutar do silêncio que o odor das rosas me traz; o cheiro que o chilrear dos pardais me envolve; a luminosidade da manhã de prata nas frestas desta porta a sul virada numa perfeita conjugação com o Todo… olhar o azul claro e brilhante que nos cobre e sentir que aqui, cá em baixo, nos vamos debatendo numa quezília constante quando afinal de contas basta olhar ali o meu gato estirado ao sol (e quando não está sol e faz chuva ou vento, basta olhá-lo enroscado sobre si mesmo aquecendo-se com o seu próprio calor)… sentir que na ponta dos meus dedos estão estas palavras que vos escrevo com carinho sabendo que alguém as irá ler… ver que o meu mundo que está lá fora também está aqui dentro ao vosso lado sem vos ver nem ouvir, tendo apenas a consciência que estais aí… saber que basta querer estar para se estar bem mesmo que não se esteja bem; basta sorrir (tantas vezes nos esquecemos que quando chorámos e as lágrimas nos escorrem pela face, os lábios podem entreabrir-se num terno sorriso)… se todos sorrissem um pouco, uma vez por dia… se todos se dessem as mãos, mesmo virtuais, uma vez por dia… se todos dissessem àquele ou àquela que está ao lado “amo-te” nem que fosse uma vez por dia… se todos escolhessem o amor uma vez por dia… se, se… todos iriam sentir, uma vez por dia, a felicidade que há dentro de cada um de nós… um bom fim-de-semana para todos vós…”

27/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Pink and pink

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26/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Decidir

“…Há sempre algo que nos impede de fazermos o que achamos que não devemos fazer; como que, dentro de nós, houvesse uma espécie de censura que velasse pelas nossas acções. O que podemos e o que não podemos fazer é algo que, primeiro, vai à loja da censura e só depois segue para fabrico. A forma final do produto é que poderá ser diversa daquela que foi projectada. Onde nos leva tal atitude? Que castração nos provoca semelhante sujeição? Porque não fazemos apenas o que nos apetece fazer? O que é isso de consciência? Uma espécie de balança com uma série de pratos onde são pesados todos os prós e os contras daquela acção planeada. Porém, porque razão agimos de imediato, sem pensar, em momentos de crise duma forma a que chamamos de instinto? Ou será que mesmo antes de agir instintivamente, a loja da censura funciona mesmo sem darmos por isso? Será que há, na mesma, um pesar na balança? Saltamos de imediato para o lado para evitarmos ser atropelados por uma carro mesmo sem vermos que podemos cair na valeta cheia de água suja da sarjeta; fugimos rápidos, em caso de incêndio por exemplo, da varanda para a rua sem olharmos à altura que nos separa dela e sem pensarmos que podemos partir uma perna. Porém, no dia a dia das nossas acções habituais de vida em que o instinto não é preciso, as nossas atitudes são “pesadas” antes de as tomarmos, como se de uma poção mágica se tratasse e fosse preciso tomar a medida exacta. Então, hesitamos antes de agir e somente depois actuamos. As nossas escolhas devidamente pensadas tanto podem dar para o certo como para o torto; não há maneira de sabermos se aquela decisão, ainda que devidamente gerida e equacionada, vai resultar em pleno. Mais tarde é que saberemos o resultado. Na verdade e a experiência mostra-nos isso, quando usamos o instinto, verificamos o resultado da acção então utilizada, de imediato, quer seja bom ou mau; também, de imediato, ficamos felizes ou infelizes com a opção tomada. Já quando apenas a tomamos depois de devidamente ponderada a questão, somente muito depois veremos o resultado; e até podemos viver angustiados aguardando o desfecho; será que fiz bem, será que fiz mal? E agora? Bem, só tenho que aguardar e esta espera, esta expectativa provoca angústia, provoca danos, provoca dor. Que faço? Escrevo um texto sobre que tema? Bem, vamos lá ver. Penso, repenso e nunca mais me surge a inspiração para desenhar algumas letras sobre um tema que nunca mais se faz luz em mim. Então, de imediato, começo a teclar instintivamente; saiu o que acabaram de ler; ao mesmo tempo que escrevia ia vendo o resultado de imediato daquilo que surgia no monitor. Não houve angústia; não houve dor. Utilizem o instinto o mais que puderem. Vão ver que, geralmente, dá certo. Também o pior que poderá acontecer é terem de perder tempo a ponderar a questão. Mas será que ponderar é assim tão mau? Não sei, a decisão é sempre individual. Façam o que vos aprouver; façam o que vos der na real gana. Sejam felizes nem que para isso seja preciso chorar um pouco. É que, às vezes, umas lágrimas clarificam a situação e o panorama, após o choro, é um pouco mais claro!…”

25/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Porto – Dia de S. João

91581

24/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Agir

“…quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre… algo que nos mude a vida para melhor, algo que nos faça deixar de sofrer, algo que nos tire a lágrima que teima em correr, algo que nos permita sorrir para sempre e não mais ser dor… quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre… algo que nos modifique a forma de ser, de podermos ser melhores ou até mesmo de podermos ajudar os outros… algo que tire o sofrimento no mundo, algo que permita a paz entre as pessoas… quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre… um milagre para nós!… Estamos sempre a pedir um milagre na nossa vida; estamos sempre a pedir um milagre que nos tire a dúvida, a dor, a fome, o desânimo, a doença e tantas outras coisas que nos atormentam… tantas e tantas vezes e o milagre não vem e amaldiçoamos a prece por ela não ser ouvida… talvez fosse melhor não pedir um milagre… talvez fosse melhor sermos nós próprios o próprio milagre: mudarmos a nossa maneira de sentir o que somos e passar a sentirmos o que queremos ser; talvez nos baste sentir o que queremos e alegrarmo-nos com o que temos, com o que nos é dado usufruir… talvez nos baste sentir o que queremos ser e sermos o próprio milagre… quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre e esquecemo-nos de o “fazer”, de o “elaborar”, de o “conquistar”… de sermos nós a agir…”

23/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Apontando para o céu

110aa

22/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Caminho

“…caminho por espaços vazios… sem ventos nem ondas de mar ou de areias… caminho por loucas miragens de sonhos que anseias… caminho por calçadas de granito frio… duro, mas dentro dele, como ouro puro, a força da sua própria grandeza… caminho com leveza, por vielas escuras, nuas, de ténue luz duma varanda… caminho por onde não se anda… caminho por rios de água rasa, onde o sol brilha no coração que abrasa… caminho na direcção do nada, onde tudo se apaga num instante de beleza como uma estrela quando morre na sua própria incerteza… caminho sem saber por onde e por mais que procure, não diviso luz… caminho somente porque amo, sem saber porquê, sem saber o porquê, sem saber que a loucura me sufoca e que por detrás desta insana caminhada, estarás sempre tu, Mulher amiga, meu amor e minha amada!…”

21/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Tempo desfeito

tem002aa

20/06/2009 Posted by | Diversos | 3 comentários

Evoluir

“… ninguém se levanta estando em pé… só se levanta quem cai… da mesma forma é o nosso evoluir, é com constantes quedas e consequentes levantares que vamos crescendo… ninguém nasce ensinado e temos necessidade de aprender… aprendemos cometendo erros e rectificando-os ou eliminando-os… não os devemos manter cativos dentro de nós mas não os devemos desprezar… devemos olhar para eles como fazendo parte de nós mesmos, do nosso tipo de evolução… no amor, também crescemos ao cair e ao levantarmo-nos; também vamos aprendendo a amar com o desamor, com o riso e com a lágrima, com o sol e com a lua, com a chuva, com o vento e as estrelas… com a desilusão e mesmo com a ilusão… com o sorriso, o senso e o disparate… mas é dentro de cada um de nós que o amor cresce nas constantes quedas que damos… então, ele floresce por si mesmo se lhe dermos atenção e valor… aprender que amar não é somente estar bem, também é dor… ser feliz é apenas desejar sê-lo e senti-lo no mais pequeno detalhe de cada momento das nossas vidas… ser feliz é estar feliz, é querer ser feliz da mesma forma que para amar é preciso querer amar… ninguém ama se não quiser amar… é nesse querer, nesse desejo de o ser, nesse querer sentir que, passo a passo, queda a queda, vamos evoluindo… um dia chegaremos lá e esse lá é apenas o concretizar da nossa vontade e nada mais… sou feliz porque quero ser e amo porque quero amar…”

19/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Trilogia da beleza

tru004aa

18/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Tu no meu ventre

“…no meu ventre não escondo nada
…nem a noite nem a madrugada
…no meu ventre guardo a mágoa
…deste meu peito raso de água
…no meu ventre explode o amor
…que solto ao vento se esvai
…e em pélagos de sangue
…no teu rosto ele cai
…no meu ventre explode o amor
…sentido, dorido, sofrido
…amor passado, presente e futuro
…no meu ventre escondo tudo
…com o meu ventre expludo
…em míriades de estrelas
…que vagueando pelos céus
…enchem os lindos olhos teus
…no meu ventre escondo as palavras
…do meu ventre dou à luz as palavras
…do meu ventre
…de bem dentro de mim
…me entrego a ti completo…”

17/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Simplicidade

kli001aa

16/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Primeiro

“… havia uma necessidade enorme de estar lá… não era somente desejo, era mesmo imperativo, quase mais que obrigatório… mas sentia que as pernas não se moviam e os braços estavam caídos numa postura de desalento… deixei-me ficar assim ainda mais um momento… tentei, então, mais uma vez, caminhar naquela direcção e fiz um esforço enorme para conseguir mover um pé… sabia que nem era necessário ter fé, bastava mover o pé… senti que uma fina dor me percorria a coluna mas nem por isso deixei de tentar… era preciso ir, era preciso caminhar… no fim do caminho estava apenas a meta a atingir mesmo sem saber qual ela era; no entanto, era certo saber que estava no fim da estrada, no meio do arvoredo… olhei em frente, sem frio, sem aquele frio do medo… havia apenas uns braços abertos e um sorriso na face; e uns olhos brilhando… ouvia um som repetido, uma batida ritmada… esse som chamava-me, clamava por algo que eu não sabia ser o que era… num tremendo e último esforço a minha perna avançou e senti que a coluna se fixou… houve uma espécie de tontura mas o esforço valeu a força precisa para fazer avançar o outro pé… nesse momento senti-me cair mas não cheguei a tocar o chão… uns braços fortes enlaçaram-me e elevaram-me no ar… só muitos anos mais tarde vim a saber que aquele tinha sido o meu primeiro passo…”

15/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Lacrimosa

chg007aa

14/06/2009 Posted by | Diversos | 2 comentários

Estatuto

“… havia apenas um silêncio todo ele verde formado por árvores frondosas, um cheiro a erva, a pinheiro, a eucalipto e o marulhar de um riacho com o bater compassado da água nas pedras soltas do seu leito… o silêncio também tinha asas; eram os pássaros que não distingo as espécies, um milhafre e quem sabe talvez uma águia… era um silêncio que também possuia a qualidade de ser tocado, bastava para isso, abrir os braços e inspirar fundo a plenos pulmões e sentir o seu abraço dentro do corpo beijando a alma… era um silêncio feliz porque me fazia sorrir e cerrar os olhos para o ouvir… um silêncio que também se via mesmo sem o olhar… o silêncio puro, alvo, cristalino, todo ele formado de muitas coisas que o tornavam único… tê-lo ali comigo era uma espécie de bênção e senti-lo ainda me provocava mais prazer… deixei-me ficar, ali nele deitado a usufruir a sua existência… de olhos fechados sabia-me fazer parte dele… senti-o penetrar-me devagar com suavidade e deixei-me embalar numa canção sem acordes mas que me deixavam perceber o porquê de tudo… ali, uma só molécula e eu fazia parte dela… um só mundo… um só ser… o sagrado estatuto de viver…”

13/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Pura beleza

chg001aa

12/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Busca

“… procuro em todos os poros do meu corpo a tua presença… vasculho a penugem que me cobre na busca de um traço teu, de uma marca deixada na selva do meu corpo… uso a mente na concentração do pensamento de todos os momentos vividos para os reencontrar em mim… uso a imaginação e penetro nas minhas artérias, nos meus músculos, nos meus tendões; tento ver as marcas que a tua estadia em mim deixou… minuciosamente, uso todos os meus sentidos: olho-me completo, milímetro a milímetro, cheiro-me, saboreio a minha pele e ouço o bater do meu coração, toco-me, acaricio-me… e vejo-te em mim, e sinto o teu cheiro a pétalas… o meu palato sente o sabor doce dos teus lábios, do teu beijo, do teu sal… ouço o sussuro das tuas palavras nos meus ouvidos e abandono-me aos teus devaneios… são pequenos nadas do meu dia a dia na procura de ti sempre presente em mim… são pequenos nadas da minha vivência enquanto tento olvidar os pequenos nadas da nossa ausência… olho-me sempre e vejo-te… e a tua presença é constante mesmo quando não estou a teu lado, mesmo quando não somos um só e nos fundimos de tal forma que tudo o que és fica indelevelmente gravado em mim…”

11/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Mar Português

dfr008aa

10/06/2009 Posted by | Diversos | 2 comentários

Eu

“…amo desde o momento que quero amar até ao momento em que decido não amar… para amar é preciso querer amar como quem tem frio e quer calor ou como quem está cansado e quer descansar… tão simples quanto isso: é apenas um acto de exercício de um querer… não amamos por amar ou porque fomos aprender a amar como quem vai aprender uma nova disciplina; só se aprende uma nova ciência desde que se queira aprender; é preciso querer aprender; ninguém é obrigado a amar como ninguém é obrigado a não amar ou até mesmo a odiar… para amarmos é preciso que se queira amar: dizer mesmo – eu quero – e sentirmos que esse é um querer simples e sem artifícios… amar é uma entrega absoluta sem qualquer barreira, mesmo que magoe, que fira, que não seja o que pensávamos que seria… amar é uma dádiva e não um receber o que quer que seja, dando-nos para além de nós próprios mesmo que isso signifique perder alguma coisa… amar pode ser a perda de nós mesmos em prol de alguém que precise mais de mim do que eu próprio preciso e pode significar, portanto, dor, lágrima, choro, tristeza, amargura, infelicidade, desespero, quiçá até mesmo desamor… amar não é sorrir e dizer: Que bom, amo!… amar é dizer eu estou aí em ti e não em mim… amar é olhar para mim e sentir que só faço falta a ti e que me sobro a mim próprio… amar é tão simplesmente isso: querer estar naquele que precisa de mim mesmo que isso queira dizer que me perca, que deixo de ser o que sou ou o que gostaria de ser, mesmo que signifique a dor e a perda que tanto abomino e não desejo… para amar basta apenas querer amar…”

09/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Mais flores do meu quintal

mnm002aa

08/06/2009 Posted by | Diversos | 2 comentários

A pedra do cão

mko002aa

07/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Escrita

“… coloco aspas e reticências… um hábito já muito antigo quando quero viajar pelas palavras nem que seja para vos desejar uma boa semana de trabalho… tento, dessa forma, pairar sobre elas na procura das letras que formem palavras… pairo sobre as vogais e as consoantes e demoro-me na procura das frases, das orações, dos pronomes, dos adjectivos, dos verbos e das verbalizações… concebo ainda a existência das vírgulas, dos pontos, de exclamações e por vezes coloco também uma ou outra interrogação… passo ainda pelos advérbios, pelas conjunções, pelos acentos circunflexos, agudos e em algumas vezes os graves… utilizo ainda as palavras que contenham hífen e quase nunca as que possuem tremas… dou uma olhadela pela possível utilização dos números ou dos algarismos, mas raramente… aproximo-me ainda dos galicismos ou de outras proveniências e tento, por ventura, fazer algum sentido com toda esta amálgama de fonemas, ditongos ou quem sabe ainda se também pelas amorfas e pelas átonas… o que quer que elas sejam, elas ficam aqui impressas num exercício renovado de prazer em as escrever e depois as ler… depois desta viagem, pouso a escrita com mais umas reticências e fecho a porta com mais umas aspas…”

06/06/2009 Posted by | Diversos | 3 comentários

Conjunto

oup001aa

05/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Viagem sem retorno

“…Eram extremamente apelativos… estavam ali à minha disposição… em cima da mesinha de cabeceira… Era uma caixinha escura que ela usava para ter à mão os comprimidos que a faziam dormir… Nunca liguei qualquer importância ao valor daquela caixinha e, no entanto, ela continha o passaporte para uma viagem, uma sem retorno… Nunca houvera pensado nisso, excepto naquela noite… uma noite em que ela não estava ali deitada comigo (nunca mais estaria)… uma noite em que acabara de chegar de mais um bar e depois de ter ingerido um bom pedaço de álcool para me aquecer a alma tão fria e tão dormente que já nem a sentia… Também, para que queria eu uma alma?… Que é que ela me dá ou me faz?… A caixinha preta continuava ali… Quantos comprimidos teria ela deixado desde a última vez que a encheu depois de os tirar da embalagem de marca do medicamento?… A minha mão direita estendeu-se para aquela caixinha preta tão apelativa como tão consoladora pelo imaginário que já me estava a provocar… Não custaria nada e dormiria para sempre… tão bom… Era disso que eu estava a precisar ou seria de mais um pouco de gin?… Mas para tomar os comprimidos eu precisava de beber alguma coisa e essa coisa estava também ali à mão… debaixo da cama, talvez também deitada no chão por cima do tapete… teria ainda algum líquido?… O suficiente para engolir os comprimidos?… Já não tinha forças para me levantar e ir buscar outra garrafa…. A caixinha preta continuava ali e a minha mão já estava em cima dela… Senti aquela textura (penso que era marfim) sob os meus trémulos dedos mas senti-a fria e um arrepio percorreu-me a coluna… ou teria sido outro tipo de arrepio?… Não sei quanto tempo estive com aquela caixinha na mão… Não sei quanto tempo demorei a tomar uma decisão… Não sei quanto tempo a olhei com um turvo olhar… Não sei porque razão não a segurei… Dei por mim a olhar para ela sem saber para que é que ela servia e naquele momento apenas me apeteceu dormir… tão perto do derradeiro sono… tão desejado… ali tão à mão… Reparei então que estava deitado sobre o lugar dela com o braço direito estendido para a mesinha de cabeceira segurando a caixinha preta que continha o passaporte para a derradeira viagem… tantas vezes assim estivemos… tantas vezes senti o seu calor, o seu respirar, o seu arfar… tantas vezes assim ficamos depois de fazermos amor… E, neste estúpido momento, repetia aquela posição estendendo a minha mão para uma viagem… Não consegui conter o choro; não consegui aguentar as lágrimas… não consegui segurar a caixinha preta… Não consegui partir… Restou-me a certeza que no dia seguinte teria mais uma noite de frio…”

04/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Simples beleza

piu003aa

03/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Tenho frio

“…tenho frio, tenho mesmo muito frio… Sinto um arrepio dentro de mim que me faz encolher a alma… dobro-me sobre mim mesmo e procuro a razão do frio que sinto… sinto-me cheio de um vazio que se instala no meu cérebro e deste passa para o meu ser… Sinto-me entorpecer e as pernas dobram-se e enregelam… O frio que sinto faz-me tremer… não vejo sol dentro de mim e a lua passou já muito ao largo e não deixou rastos… As estrelas estão longe e não me iluminam o suficiente para aquecer o meu coração… É tudo em vão… Todo o esforço que faço para me manter à superfície ainda me magoa mais porque as forças me abandonam e o corpo rejeita energias que gasto nesta viagem… E é apenas a minha imagem… Mas olho para lá e não vejo nada que me faça regressar… E desejo cada vez mais sair, fugir mesmo sem saber para onde ir… não é dilema não saber o que aí vem… sabe-se que se está a ir nessa direcção e deixamo-nos ir como folha perdida nas águas turbulentas de uma sarjeta suja de pó e vazia também de tudo… Deito-me dentro de mim e adormeço no meu sonho sem dormir… é um sonho acordado de tão cansado que nem o sono sossega e não me dá trégua… Tenho frio, tenho muito frio… Sinto um arrepio de novo e mais uma vez me encolho e olho para dentro do copo que tenho na mão… é um copo vazio como eu e também está frio… peço a alguém que o encha de novo e dizem-me que não, que já bebi demasiado… mas eu sei que não, ainda consigo entender o que me é dito e porque razão ouço este imenso grito… Saio num tropeço dum trôpego andar… Passo pelo espelho e alguém do lado de lá olha para mim e sorri… é alguém que eu já conheci, alguém que já esteve aqui comigo, dentro de mim… nunca mais o vi… por onde andará?… No entanto, foi simpático, acompanhou-me até à saída… não o vi mais… não havia mais espelhos naquela sala daquele bar… Abri a porta de par em par… Respirei o ar frio da noite ainda mais quente do que o frio que eu sentia dentro de mim… Olhei o mar que se estendia para lá daquelas escadas que desciam para ele, ele que me esperava depois do abismo… olhei-o e ele riu-se numa risada tremenda que me fez encolher e de novo ver que já nada estava ali a fazer… Preciso de dormir, mas um sono que jamais termine… preciso de dormir e afinal o carro está ainda ali… é aquele preto… tem aros prateados nos faróis mas não tem luz, estão apagados como eu… A chave está na minha mão e abrir a porta não custa.. já nada me assusta porque o frio me tira a percepção da realidade… tenho apenas uma vontade, dormir, deixar-me ir e não saber nem como nem para onde…
Tenho frio, tenho muito frio…”

02/06/2009 Posted by | Diversos | 1 Comentário

A beleza do cerne

bri005aa

01/06/2009 Posted by | Diversos | Deixe um comentário