Lobices

…meiguices de lobos e não só…

Sons

“…foi numa altura em que ainda se conseguia lá ir com o carro… entrei pela porta principal e comecei a subir até ao mais pequenino sítio para se poder estacionar… Saí e o silêncio estava lá à minha espera… Havia um pouco de vento mas não sei de que quadrante… Fiz o restante do percurso a pé, até à zona mais perto do castelo, das muralhas…Olhei em frente e em volta… Fiquei fascinado… Nunca tinha visto as costas aos pássaros voando… Por baixo de mim e à volta das muralhas, os pássaros voavam abaixo do meu nível de visão… Era um enorme prazer o que a minha vista desfrutava… O silêncio estava ali ao meu lado… Inspirei fundo e retive o momento para que ainda hoje me lembre dele como se o estivesse a viver agora… Há imensas rochas por ali…  Imensa memória ali cravada na pedra, ali forjada em segredos de distância e de histórias que se conhecem mas também das que se não sabem… memórias de tempos imensos de glória e de luta… Olhei a rocha e coloquei as palmas das minhas mãos na firme solidez fria das pedras… o que senti não foi “daqui” mas também não sei de onde foi… senti algo que me percorreu a alma e a minha memória encheu-se de imagens.Inspirei novamente e de novo guardei o momento para o rever quando o quisesse viver de novo (o que estou a fazer agora)… O silêncio tinha som e imagem e esse som me transportou a tempos remotos para lá de tudo o que eu podia conhecer…  as imagens, essas, foram nítidas e aqui estão, impressas para todo o sempre, num recanto de mim… O vento sentia-se sem se ouvir e as minhas mãos começaram a aquecer… um formigueiro enorme me percorreu os braços, o tronco, a bacia e desceu pernas abaixo até que senti meus pés ferverem… estava ali debruçado sobre a rocha ouvindo o passado, sentindo como se ele ali estivesse presente dando-me a conhecer o que não tinha vivido… A sensação tornou-se-me límpida e fresca e um sorriso se me aflorou nos lábios… Retirei as mãos da pedra e comecei a descer para o carro… Acabava de viver algo de inesquecível… Tinha pura e simplesmente viajado no tempo, tinha ido ao passado, tinha recuado uns séculos e o som e a imagem ficaram comigo… Apesar de tudo, senti paz… Fica ali, no Alentejo, mesmo perto da fronteira e chama-se Marvão… Preciso de lá voltar…”

12/08/2009 - Posted by | Diversos

2 comentários »

  1. é lindo assim

    e também Castelo de vide
    e mais

    mais
    .
    .
    .
    porque a memória dos olhos
    é uma praia
    extensa
    como as areias do norte

    beijinho Lobices

    Comentar por maré | 12/08/2009 | Responder

  2. também este ano “viajei” no tempo, numa feia medieval em plena floresta na Alemanha. Aparece no meu blog e verás algumas fotos, depois virão outras :)
    xi
    maria

    Comentar por maria de são pedro | 19/08/2009 | Responder


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