Lobices

…meiguices de lobos e não só…

Moldura

“… na verdade, esta moldura é a minha prisão… de tão perfeitos traços me retrataste que me sinto afogada neles como se eles fossem a minha própria alma, o cerne do amor que nos inundava enquanto a vida me era dada para viver… lembras-te, meu amor, de todas aquelas cartas que te escrevi enquanto presa dentro de outras grades, linhas estreitas que me afastavam de ti ou que te afastaram de mim… nunca soube o porquê e essa dúvida, que ainda hoje, aqui de cima mantenho, será a minha companhia na eternidade… é ela também que me concede a possibilidade de te ver aí olhando-me aqui nesta parede nua, dentro de mim mesma vazia e tão prenhe de linhas com que me vestiste naquela manhã na cozinha no banco sentada, rindo-me da tua certeza… meu amor, a paz que me preenche não retira a dor que mantive e que comigo trouxe; a paz que me preenche é uma paz por amor a ti mas a dor essa jamais sairá de mim; é um pouco como eu nestes riscos presente na tua mente quando daí em baixo me olhas… resta-me a doçura da lágrima que vejo cair da tua face nesse chão carcomido pelo tempo que não nos foi concedido… dor de mim em teu peito também ele dorido…”

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27/11/2009 - Posted by | Diversos

1 Comentário »

  1. >Este texto perturbou-me, deixou-me algumas dúvidas que não me atrevo a expor. Revela muita dor numa pessoa, "fora de si", que já partiu…Bj

    Comentar por maria teresa | 27/11/2009 | Responder


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