Lobices

…meiguices de lobos e não só…

Primeiro

“… havia uma necessidade enorme de estar lá… não era somente desejo, era mesmo imperativo, quase mais que obrigatório… mas sentia que as pernas não se moviam e os braços estavam caídos numa postura de desalento… deixei-me ficar assim ainda mais um momento… tentei, então, mais uma vez, caminhar naquela direcção e fiz um esforço enorme para conseguir mover um pé… sabia que nem era necessário ter fé, bastava mover o pé… senti que uma fina dor me percorria a coluna mas nem por isso deixei de tentar… era preciso ir, era preciso caminhar… no fim do caminho estava apenas a meta a atingir mesmo sem saber qual ela era; no entanto, era certo saber que estava no fim da estrada, no meio do arvoredo… olhei em frente, sem frio, sem aquele frio do medo… havia apenas uns braços abertos e um sorriso na face; e uns olhos brilhando… ouvia um som repetido, uma batida ritmada… esse som chamava-me, clamava por algo que eu não sabia ser o que era… num tremendo e último esforço a minha perna avançou e senti que a coluna se fixou… houve uma espécie de tontura mas o esforço valeu a força precisa para fazer avançar o outro pé… nesse momento senti-me cair mas não cheguei a tocar o chão… uns braços fortes enlaçaram-me e elevaram-me no ar… só muitos anos mais tarde vim a saber que aquele tinha sido o meu primeiro passo…”

07/03/2010 - Posted by | Diversos

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