Lobices

…meiguices de lobos e não só…

Sedução

“…talvez seja essa tua força, invisível aos olhos humanos, que me seduz… talvez sejam apenas os teus olhos ou até mesmo, como já o tenho dito muitas vezes, a tua boca… talvez seja essa tua fragilidade ou essa tua doçura… talvez a tua ingenuidade ou até mesmo a tua garra… talvez a tua voz ou mesmo até o teu silêncio… talvez o teu tudo ou o teu nada… talvez seja essa tua pose de fazer face à luta ou a tua lágrima sentida… talvez a tua revolta ou até mesmo a tua cedência… talvez apenas o teu toque, o teu cheiro ou o teu beijo… talvez apenas o seres apenas tu e eu ser apenas eu… mas que me seduzes de verdade, não o posso negar…”

30/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Gold

29/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Aceitar

“… um dia (não sei quando) disseram-me que entre o possível e o impossível se encontra a vontade do Homem… ao longo da vida, todos os momentos que eu vivi, foram momentos impossíveis de viver (porque a própria vida é um milagre e eu não acredito em milagres mas em causas que provocam consequências) mas como foram vividos, logo a impossibilidade tornou-se possível… ao longo da vida verifiquei que tudo o que me era dado vivenciar não havia sido “criado” por mim mas apenas estava ali e eu o vivia, eu o sentia, eu fazia parte desse momento… ao longo da vida eu fui verificando que tudo é complicado e ao fim e ao cabo tão simples pela simples razão que somente a simplicidade é autêntica, ou seja, olhar à nossa volta e sentir que tudo o que nos cerca é natural, normal, vida em si mesma, sem ornamentos nem floreados… não somos nós que estamos a enfeitar a vida porque as flores já existem… não somos nós que estamos a perfumar os ambientes porque os odores já circulam à nossa volta… não somos nós que descodificamos os códigos, os códigos já não são enigmas, os enigmas já não são complicados porque tudo é tão simples de entender, tudo é tão simples de vivenciar… nada é impossível, portanto, tudo é viável, basta aceitar…”

27/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Profusão

25/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

União

24/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Trazias

“…trazias o perfume de uma flor e o sabor de uma iguaria… trazias tudo o que eu desejava, o que eu queria… trazias contigo a doçura do teu olhar e a leveza do teu toque para o meu corpo amaciar… trazias o sol e o brilho das estrelas… trazias o sorriso estampado na pele e o cheiro da maresia quando se espalha na areia… trazias tudo o que um homem anseia… trazias o amor dentro de ti, o amor que se dá e não se regateia, o amor que sempre perdura mesmo quando partes… trazias a esperança no rosto e os lábios entreabertos prontos para o beijo, para o doce toque em que todos os sabores se transformam em mel… de braços abertos meu ser te aguardava, ansioso… certo da tua vinda, da tua chegada… e o abraço se deu num enlaçar de paz e de ternura… e todo o ser se deu e se recebeu e as mãos se entrelaçaram… e num serpentear de passos arrastados porque leves, os caminhos nos levaram… e o sabor a tudo num leito se aconchegou… e o amor que veio e o amor que esperou, por ali, naqueles instantes infinitos, se quedou e a si mesmos se entregaram na paz que só os que amam sabem sentir…”

21/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

O Lobices faz hoje 8 anos

O LOBICES FAZ HOJE 8 ANOS

 

19/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Beauty 2

16/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Ventre

…no meu ventre não escondo nada
…nem a noite nem a madrugada
…no meu ventre guardo a mágoa
…deste meu peito raso de água
…no meu ventre explode o amor
…que solto ao vento se esvai
…e em pélagos de sangue
…no teu rosto ele cai
…no meu ventre explode o amor
…sentido, dorido, sofrido
…amor passado, presente e futuro
…no meu ventre escondo tudo
…com o meu ventre expludo
…em míriades de estrelas
…que vagueando pelos céus
…enchem os lindos olhos teus
…no meu ventre escondo as palavras
…do meu ventre dou à luz as palavras
…do meu ventre
…de bem dentro de mim
…me dou completo

15/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Para o meu Zé, de Adélia Prado

Eu te amo, homem, hoje como

Toda a vida quis e não sabia,

Eu que já amava de extremoso amor

O peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos

De bordado, onde tem

O desenho cómico de um peixe – os

Lábios carnudos como os de uma negra.

Divago quando o que quero é só dizer

Te amo. Teço as curvas, as mistas

E as quebradas, industriosa como uma abelha,

Alegrinha como florinha amarela, desejando

As finuras, violoncelo, violino, menestrel

E fazendo o que sei, o ouvido no teu peito

Para escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo

O teu coração, o que é, a carne de que é feito,

Amo sua matéria, fauna e flora,

Seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas

Perdidas nas casas que habitamos, os fios

De tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo

Pra ter saudade, me calo, falo em latim porá requintar meu gosto:

Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas

o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não

ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.

Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama

Fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.

Te alinho junto das coisas que falam

Uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como

O desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,

Tira de mim o ar desnudo, me faz bonita

De olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,

Me dá um filho, comida, enche minhas mãos.

Eu te amo, homem, exatamente como amo o que

Acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando

Os panos, se alargando aquecido, dando

A volta do mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.

Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,

O que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,

Te amo do modo mais natural, vero-romântico,

Homem meu, particular homem universal.

Tudo o que não é mulher está em ti, maravilha.

Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,

A luz na cabeceira, o abajur de prata;

Como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:

Com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,

Me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles

Eu beijo.

 

 

ADÉLIA PRADO. Poema “Para o Zé” in Poesia Reunida, São Paulo: Siciliano, 1991

14/11/2011 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Beauty

10/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Perdurar

“… e o amor não se esgota nos momentos em que os amantes se encontram… o amor perdura para além deles, dos momentos e dos próprios amantes… o amor fica em cada um como uma marca no tempo que vai para lá do tempo em que foi… o amor vai com cada um e reaje ao menor sinal de memória… reactiva-se a si próprio quando já lá não está, naquele momento em que se ama… eleva-se para além da sua meta e tenta chegar ao momento seguinte, momento esse que não se sabe se vai existir mas que se deseja e do qual se sabe apenas que será um novo momento… o amor não se esgota no momento em que os corpos se esgotam e descansam… o amor vai além desse esvair porque se não for nunca será amor… o amor não se esgota no peito de cada um porque continua na memória de ambos… o amor é isso, é saber que não foi só e apenas aquele momento… o amor prolonga-se a si próprio para além de si mesmo e daqueles que o vivem… o amor está para lá do próprio amor…”

08/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Toca do trovão

06/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Acenar

“… o tempo passa demasiadamente depressa… quando damos pelo facto, seja ele qual for, o tempo esvaiu-se e quase não o vimos passar… quando não o vemos passar porque ele foi usado em positiva vivência, é óptimo recordar esses momentos que não vimos passar porque o tempo estava a ser ganho por algo bom que recordaremos com prazer… porém o tempo voa e quando damos por ele, ele já passou e já são horas de dizer um novo adeus, um até breve, um até depois… fica o sabor de tudo o que se viveu… fica a saudade desses momentos… fica a ânsia de que eles voltem depressa mais uma vez… e quando o tempo de viver esses doces momentos acaba, fica em nós a presença do outro, o cheiro, o sabor, o tacto, o som e a imagem que fixamos com ternura para, no mínimo, a levarmos dentro de nós… até ao próximo encontro… no entretanto, fica o aceno, o olhar para trás, o dizer aquele adeus com a mão estendida e o rosto, apesar de tudo, sereno e com um sorriso nos lábios… o acenar até que a esquina surge e o passo continua calmo no percorrer daquela rua…”

03/11/2011 Posted by | Diversos | Deixe um comentário