Lobices

…meiguices de lobos e não só…

O que tu és

“… és sinónimo de paz, na palavra que me dás… és sinónimo de beleza
nesse olhar profundo sem mácula de tristeza… és sinónimo de alegria no toque
suave que em mim um teu sorriso cria… és sinónimo de paixão quando disfruto o
bater mais forte do meu coração… és sinónimo de harmonia quando me beijas
enlaçados em sintonia… és sinónimo de luz quando no escuro da noite teu amor
me seduz… és sinónimo de serenidade quando no abraço matamos a saudade… és
sinónimo de ternura quando na partida o teu olhar em meus olhos perdura… és
sinónimo de puro amor quando nos afagamos com a alma e os corpos sem pudor… és
saudável loucura quando sinto a nossa mútua procura e nos afogamos no delirar de
um sentir que tudo é tão simples quando sabemos porque é que nos estamos a
amar… és tudo o que um simples mortal busca na imortalidade que a qualquer um
ofusca no silêncio do grito que amaina a febre do ruído que quebra tudo mesmo
que fosse granito… és tudo o que o amor busca no olhar, no toque, no beijo que
de momento em momento se reduz ao desejo, trazendo como prenda, tecido em flocos
de doce renda, o caminho percorrido como sempre desejado, obtido e que a luz em
nossos corações se acenda para num florir matinal ou num anoitecer normal, o
doce sabor nos acorde ou nos adormeça em profunda certeza que o dia seguinte
mais não será do que um novo fruir do amor que nos envolve e a cada momento nos
devolve na mais plena pureza do aceno tão natural como há pouco sobre nós
desceu… porque se te sinto minha, sei que me sentes teu…”

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27/08/2012 Posted by | Diversos | 1 Comentário

Desejo

“… o teu corpo perfeito, deitado no leito, de pura seda acetinada feito, exalava o perfume perfeito… deixava antever, sem te tocar nem sentir, o esbelto prazer de olhar para ele e bastar sorrir… mais não seria necessário se a força do desejo se quedasse por ali… mas a languidez da libido perfurava todo o sentido em te possuir… aproximei-me de ti sem te olhar e sem que me visses… era apenas um desejo que bastava que sorrisses para que eu parasse e não prosseguisse… mas os teus lábios carnudos abriram-se em pétalas desnudos e me sorriram num convite perfeito… o ardor estava ali, a teus pés e meu corpo teceu o desejado amor de tudo o que depois aconteceu… volteámos a alma, os sentidos, a voz rouca, o arfar da pele, o toque no teu mar e o saboroso doce a mel… perfurei tuas entranhas em doces movimentos com forças tamanhas que te fizeram sugar teus próprios gemidos… a doçura perdura dentro de nós e antevê-se nos nossos olhos o desejo de, novamente, a sós, voltarmos a ser um só corpo e um só desejo num derradeiro lampejo de profunda paz… o deleite do amor que ele nos traz…”

25/08/2012 Posted by | Diversos | Deixe um comentário

Basta

…eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que já anda dentro de mim há milhares de anos e nunca tive essa oportunidade…

…há dias, quando surgiste na minha vida, um pouco alheada do próprio mundo, quando ali surgiste espelhada na minha alma, eu estive quase quase para te dizer…

…penso que me faltou a coragem e a voz se me embargou; calei dentro de mim o que deveria ter gritado; talvez tenha esquecido a forma de gritar, talvez só saiba calar… não sei… já não sei…

…mas eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que me possui e me rasga a mente, num acto demente do meu próprio ser de aqui estar sem saber falar, sem saber o que te dizer, sem saber gritar o que tanto tenho calado… milhares de anos de silêncio dentro de mim…

…milhares de anos de solidão da minha própria voz; milhares de anos de espera que surjas ali à esquina, em qualquer lugar, e num momento de paz eu te possa gritar todo o meu amor…

…áhh dor que dói e me corrói a alma de tanto calar esta tão louca forma de te amar… dor de aqui estar e não saber o que te dizer, de não saber traduzir esta minha forma de tão somente te sorrir…

…e sorrio-te a todo o instante, aqui, ali, em qualquer lugar ainda que distante… não me preocupa se me ouves, se escondes as palavras que tão docemente me são devolvidas porque não enviadas; doces palavras de paz, ternura, carinho, amor… em doses de candura mas eivadas de toda a minha dor…

…estão aqui mas sei que tinha qualquer coisa para te dizer; como posso gritar se a voz se me tolda em silêncios ocos e sem eco ou se com eco ecoam apenas dentro do meu vazio, um vazio que não preencho ou se preencho apenas o preencho com a minha própria alma já de si tão gasta por durante todos estes milhares anos não me teres dito: Basta!…

09/08/2012 Posted by | Diversos | 1 Comentário